O TCM (canal 91 da Net/Cat Digital) exibe hoje, às 0:30, "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock. Filmaço, mas não é isso que quero discutir, e sim o fato de que este filme, assim como o que recomendei ontem, será exibido em versão dublada.
Leio na "Folha On Line" que filmes dublados já são predominantes na Europa há muito tempo, e que já começam a tomar conta dos cinemas brasileiros. Isso me preocupa.
Pode ser uma postura antiquada, mas acredito que a dublagem adultera a obra. O texto, necessariamente, tem que mudar. A fala, elemento mais decisivo na interpretação desde o advento do cinema falado, também muda, necessariamente. Ao ser dublado, um filme pode ficar bom ou ruim, mas não continua sendo o mesmo filme.
Sim, legendas não são o melhor dos mundos. A tradução não pode ser idêntica, embora supere muito a dublagem em termos de fidelidade ao texto original. Além disso, ainda temos que enfrentar ora os erros de nossos tradutores, ora o moralismo das empresas de legendagem (que traduzem "son of a bitch" por "maldito").
Mas as legendas permitem que acompanhemos a integralidade da interpretação dos atores. Enquanto não chega o tão sonhado dia em que nossas escolas farão com que todos sejam fluentes em pelo menos uma língua estrangeira, a legendagem poderia ir quebrando o galho.
E, no fim, toda essa discussão poderia estar superada pela liberdade de opção, não fossem os entraves tecnológicos. Por exemplo: se você dispõe de um televisor com SAP e Closed Captions, pode transformar a "Tela Quente" da Globo num filme em versão original com legendas. São legendas para surdos, meio truncadas, mas bem melhores que a dublagem. O problema é que os canais a cabo não conseguem operacionalizar esses recursos, mesmo em versão digital. No caso do TCM, se você entende inglês, ótimo, pois é possível ver o filme em versão original. Mas não há como inserir legendas, o que é frustrante.
O que nos leva a outra questão: que raio de interatividade digital é essa, pela qual pagamos tão caro? Se não posso nem escolher o idioma da transmissão do que assisto, como é que estou "interagindo" com minha programação de TV?
Vão por mim: sou assinante da Net digital e afirmo que, enquanto não se puder usufruir plenamente dos recursoso de interatividade, esse papo de TV Digital serve para o governo contar lorotas e para algumas empresas encherem as burras.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
4 comentários:
Bom demais seu blog, Mauro! A Paty me passou e eu adorei!
Concordo com vc sobre esse absurdo das supostas TVs interativas... propaganda enganosa! Fora a dificuldade que é fazer valer o contrato que elas assinaram... Beijos e continue postando!
Glória (do bonde, heheh)
Valeu, Glória, continue visitando e comentando!
Acho que esse dilema entre legenda e dublagem é insolúvel. Por que ao prestar atenção às legendas, perdemos a atuação dos atores e prestamos menos atenção aos cenários, efeitos etc. As dublagens são de fato uma reinterpretação, mas as legendas - para quem realmente precisa delas - também são. Os nossos dubladores são, em regra, ruins, mas os dubladores italianos, por exemplo, são ótimos e, principalmete, sindicalizados, o que obriga a dublagem por lá. Mas é interessante quando grandes atores se dignam a dublar (o que geralmente acontece nos desenhos animados).
Como entendedora de meia-tigela de algumas línguas (pelo menos das mais normais!), prefiro as legendas, mas acho uma pena quando me ocupo em ler e não em ver.
Não sei se a culpa é dos dubladores, mas de modo geral, a dublagem brasileira estacionou na ruindade. Não é raro eu ficar aqui fuçando o som para tentar entender o que estão falando... Antes de mais nada, têm que melhorar a qualidade sonora. Sem isso, até os filmes brasileiros precisam de legenda.
Mas ainda gosto de desenhos animados dublados: Simpsons, American Dad, Família da Pesada: acho que têm ótimas dublagens.
Postar um comentário