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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Minha várzea, minha vida

Poste de madeira dá nisso...

Belo Horizonte é uma cidade tão bem administrada que nem o Prefeito quer morar aqui. Talvez por autocrítica, a criatura que ocupa o gabinete principal da Av. Afonso Pena, 1212, resolveu vender a cidade inteira, até mesmo as ruas. A última novidade é a venda dos campos de futebol de várzea da cidade. Diz ele que vai investir os recursos no programa "Minha casa, minha vida". Sabem que pode até ser verdade?

Porém, até a enxurrada sabe que o motivo da venda é outro. O verdadeiro programa interessado é o "meu condomínio de luxo, minha vida" - a própria PBH reconhece que os terrenos em questão são "valorizados". E a mesma enxurrada sabe que a especulação imobiliária está entre os principais financiadores de qualquer campanha eleitoral vitoriosa na cidade. Este ano há eleições, então é só somar dois milhões mais dois milhões que você entende o resto.

Mas, por um breve momento, consideremos que o Poste esteja sendo sincero. Então, estaria tudo certo - para fazer moradia popular é válido acabar com a diversão dos pobres, certo?

Errado. É errado que os pobres tenham que escolher entre a diversão e a moradia, enquanto os ricos lucram com uma e com outra. Mas, mesmo assim, se a nominada criatura insiste tanto em investir em moradia para o povo, temos algumas sugestões de próprios municipais a serem vendidos para arrecadar os recursos necessários:

1 - Os mandatos dos vereadores (se nenhum dos edis ousa contrariar o Pimentécio, suponho que a Prefeitura seja dona dos cargos).

2 - A Praça da Estação (já que só a Globo pode fazer eventos no local, deve estar disposta a adquiri-lo).

3 - O Bulevar Arrudas (melhor vender antes que as chuvas detonem de vez o valor de mercado).

4 - Os pontos de wi-fi no centro da cidade (quem é louco de abrir um notebook por ali?)

5 - A Praça da Liberdade (os compradores fariam fortunas cobrando entradas dos manés que param para ver a decoração de Natal).

6 - A Região Noroeste, inteira (até o Lehmann Brothers administraria isso aqui melhor do que a PBH).

7 - A BH Trans(torno) (é só uma questão de fazer as empresas de ônibus pagarem por algo de que já usam e abusam).

8 - A poluição sonora (se som é energia, o ruído de BH deve dar para alimentar Nova York pelo resto da vida).

9 - O Parque Aquático Cristiano Machado (em alguns dias vira sauna).

10 - As cúpulas municipais do PT e do PC do B (não que valham muita coisa, mas nada melhor do que livrar-se de um trambolho enferrujado).

Tá vendo, prefeito? Não é preciso mexer no lazer do pessoal. Quanto aos especuladores, sugira que façam condomínios em Brumadinho.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Antipatias para um bom 2012

Ela abre os caminhos para você!

Sabe-se que esse blog anda semi-desativado, mas a postagem de ano-novo já é uma tradição, principalmente depois que as previsões para 2009 e as resoluções para 2011 se cumpriram fielmente.

Para esse ano, eu estava pensando nas famosas simpatias. Já notaram que aquilo nunca dá certo? Então, resolvi lhes propor as Antipatias de Ano-Novo do Fofão, uma para cada objetivo na vida. Sucesso garantido.


Dinheiro:

1) separe 12 sementes de romã;

2) coloque cada semente em um pequeno saquinho plástico, e etiquete cada saquinho com o nome de um mês e de um santo (por exemplo: janeiro, S. Sebastião; junho, S. Pedro e assim por diante);

3) vá para a Praça da Rodoviária (em BH; se mora em outra cidade, procure a praça onde ficam os curandeiros intérpretes da natureza);

4) com um megafone bem velho, anuncie as "sementes da prosperidade", que abrem os caminhos em 2012;

5) venda cada semente por R$ 10,00 e faça uma promoção vendendo o jogo de 12 sementes por R$ 100,00;

6) repita a antipatia até atingir a quantia desejada;

7) se a polícia aparecer, jogue tudo no chão e saia correndo.


Paz em família

1) separe 12 sementes de romã;

2) quando a sua família vier encher o raio do saco, coloque seis sementes em cada ouvido, para não ouvir o que ela diz;

3) deite-se no sofá e durma em paz com a sua família.


Sexo:

(para os amigos)

1) separe 12 sementes de romã;

2) convide a gata para tomar um champanhe;

3) diga à gata que vai preparar um drink especial;

4) em uma taça tipo flüte, misture, SEM QUE A GATA VEJA, sidra Cereser, pinga, xarope de groselha e uma semente de romã;

5) dê para a gata tomar e diga que é a última moda na Riviera;

6) repita a antipatia 12 vezes (uma para cada semente de romã);

7) convide a gata para dançar;

8) limpe o vômito da gata do seu cabelo e da sua camisa;

9) carregue a gata para a cama e certifique-se de que ela está respirando;

10) vá dormir no sofá;

11) de manhã, ponha o colchão no sol para secar o xixi da gata;

12) sexo? Relaxe, você não está mais com vontade.


(para as amigas)

1) separe 12 sementes de romã;

2) chame o primeiro homem que aparacer para transar com você;

3) jogue as sementes fora.


Amor

1) separe 12 sementes de romã;

2) escreva a palavra "ROMÃ" em um cartaz bem grande;

3) decore o cartaz com as sementes de romã;

3) leve o cartaz para a frente do espelho.


Saúde

1) separe 12 sementes de romã;

2) coma as sementes em lugar do almoço;

3) repita a antipatia no jantar;

4) repita as duas fases da antipatia durante 90 dias: romã é antioxidante, previne doenças cardíacas e fortalece os ossos. Vai ser ótimo para a sua saúde.


É isso aí, macacada. O Fofão se despede de 2011 lembrando a todos os amigos que precisa de dinheiro, e está disposto até mesmo a trabalhar para obtê-lo. Alguém aí sabe de um lote para capinar?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sobre o conceito de pós-modernidade

Ah, se soubesses o quanto valem teus dejetos...

Ontem, o caderno Paladar, do Estado de S. Paulo, publicou uma matéria sobre o tradicional "pingado" (café com um pingo de leite). Provaram vários, desde os tradicionais de padaria aos feitos com cafés especiais e leites vaporizados.

O texto menciona um café muito caro chamado Kopi Luwak. O trecho citado abaixo não está no site do Paladar, mas foi
reproduzido na Revista Cafeicultura; eu não teria capacidade para inventar tamanha perversão.

"Considerado o café mais caro e raro do mundo, chega a custar US$ 1.200 o quilo e sua produção anual não ultrapassa 300 quilos.


Cultivado na Indonésia, mais especificamente em Java e Sumatra, seu beneficiamento depende de um mamífero da família do gambá, a civeta, que come a fruta, não digere os grãos e os excreta: uma enzima de seu sistema digestivo reduz a acidez do café e aprimora seu sabor. Devidamente higienizado, o grão dá origem a um café cujo gosto tem um toque de frutas vermelhas comum a seu terroir."

Se eu entendi direito, tem pessoas por aí pagando mais de 2.000 reais por um quilo de cocô de gambá. Cocô higienizado, está claro. Depois elas dissolvem aquilo na água quente e bebem. É muito chique.

Eu odeio o século XXI. Odeio-o amarga e visceralmente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Blogueiro de volta

Toda máquina precisa de manutenção


Olá, meu povo.

Vocês certamente perceberam que meu sumiço de duas ou três semanas se deveu a um pequeno périplo que fiz entre Londres, Paris, Berlim e Roma, familiarizando-me com as últimas novidades do mundo das artes, da cultura e das ideias.

Pois perceberam errado.

Eu estava aqui mesmo, lutando contra o famigerado Windows Vista e familiarizando-me com sistemas, discos, partições, formatações etc.

Pude também cultivar o saudável hábito da sauna, passando os dias fechado em meu quarto durante o agradável verão belorizontino.

Ainda estou em guerra contra a Microsoft, portanto não sobra muito tempo para escrever. Vou tentar aparecer todos os dias indicando algo de bom que li ou vi por aí, como a crônica do Verissimo aí embaixo.

Se eu sumir de novo, procurem no Vale do Silício, para onde terei ido com o firme intuito de trucidar o Bill Gates.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Aaaah, o Natal!...

© Blitzkrieg | Dreamstime.com

Está chegando o Natal, crianças! Este blogueiro adora o Natal!

É a época em que as pessoas expressam, através dos presentes, o quanto gostam umas das outras. E tem gente que gosta dos outros pra burro!!! É só dar uma olhada em alguma Mesbla* da vida: o alto-falante anuncia uma promoção de lençóis e as senhoras começam a disputá-los na base de pontapés, pescoções e cabeçadas (é ainda mais bonito quando a promoção é de facas...). E o mais bonito: tudo isso ao som de "Jingle Bells", "Noite Feliz" e vai por aí afora...

Todo o sacrifício compensa, porque é para dar um bom presente ao seu amigo oculto. E, se você ganhar um jogo de pega-varetas ou um CD da Ana Carolina, o que é que tem? O que vale é a intenção!

E, no Brasil, temos ainda outra vantagem: aqui é verão no Natal. Nada de neve! Temos todo o conforto de nossos 46º à sombra para fazer nossas compras. Isso, claro, enquanto não chove. Até o trânsito muda na hora em que chove. É como se o mundo estivesse sendo lavado para a chegada do Menino Jesus (BH costuma ser lavada até por debaixo do asfalto). Todo mundo para pra ver, e fica parado horas e horas.

E, quando a chuva para, os motoristas fazem questão de passar por cima das poças, pra refrescar a gente na calçada. Solidariedade natalina é isso aí! Aliás, se você quer saber o que é solidariedade, tente arranjar um táxi no centro da sua cidade, no dia 24, às 18h, na chuva... Ou tente pegar um ônibus, se a ideia é avacalhar de vez.

Mas, independente de presentes, o Natal é a festa da família. É quando os parentes se reúnem e, depois de quatro ou nove garrafões de vinho (e de assistir "E.T." pela nona vez na Globo), resolvem relembrar ressentimentos de 1973, bem na hora de cortar o pernil. Aí, a faca da promoção da Mesbla volta a entrar em ação, e as sirenes do SAMU fazem um bonito dueto com os hinos natalinos.

No dia 25, a gente acorda no chão às 16h e começa a se preparar para o grande evento da noite: o especial de Roberto Carlos. Que, este ano, recebe Calcinha Preta e Daniel.

Aaaah, o Natal!...

* Mesbla: loja da infância do blogueiro, muito famosa em meados do século passado.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Blogueiro muito importante

Água que pé-rapado não bebe

Eu ontem fui ao cinema. O bom de ir ao cinema é que a gente sempre aprende alguma coisa.

Ontem, mesmo, eu aprendi muito sobre o valor das coisas. Quando desci do ônibus no centro da cidade, comprei uma garrafa de água por R$ 1,30. Ela tinha 500 ml. Então, o preço por litro da água seria R$ 2,60.

Estava muito calor e a sede continuava (ressaca, eu?!?!). Por isso quando cheguei ao cinema comprei outra garrafa, que custou R$ 2. Esta, porém, tinha 350 ml. Ou seja: R$ 5,71 o litro. Mais que o dobro, portanto.

Passei, então, a interrogar-me: o que poderia fazer uma água tão mais cara que a outra? Inicialmente, pensei no fato de a primeira vir em uma garrafa azul ordinária, enquanto a segunda estava numa garrafa bonitinha com um rótulo transado. Cheguei mesmo a pensar que a boa gente da Usina de Cinema estava tentando me fazer de otário. Mas, que nada...

Era justamente o rótulo que continha a explicação. Não por ser bonitinho (bem... por isso também), mas por trazer as três letrinhas mágicas: VIP. Que, como vocês sabem, significa "pessoa muito importante", em inglês.

Aaaaaaah, bom!!!! Então, assim, sim! Eu pago mais caro pela água porque, quando vou à Usina, viro uma pessoa muito importante (e, pelo jeito, desviro quando saio de lá). Gente importante, como eu, não bebe a mesma água que vocês, que não têm importância nenhuma.

Entenderam, seus merdas?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Danou-se

Imagem publicada no cartoonstock

Amigo meu, trabalhador em educação, passa por um momento de reestruturação profissional. Querem ensiná-lo (a ele e a um tantão de gente) a metodologia dos telecursos. Eu pensei que iam treiná-lo em interpretação, maquiagem, dicção, empostação e tal, para ele trabalhar na TV.


Ignorância minha.


O caso é que estão transformando professores da rede pública em ligadores/desligadores do aparelho de DVD. Como se sabe, professores da TV são bem melhores que os de carne e osso, pois não reclamam do salário, não faltam para levar filho ao hospital e não dizem nada que não pudesse ser dito na TV.


Mas o melhor, o que demonstra nosso avanço retilíneo e uniforme em matéria de metodologia de ensino, é o programa do curso. Saquem só:


Módulo 1:
Agindo como idiota

Consiste em construir o conhecimento através de piadas cretinas (como se sabe, piadas boas são consideradas impróprias ao ambiente escolar) e a trazer sempre na face um sorriso de plástico, qualquer que seja a situação. Demonstra o respeito do professor pela inteligência do aluno (ou pela sua própria, conforme o caso).



Módulo 2
Mediocridade para principiantes

Tenha opiniões sempre moderadas, a menos que o assunto seja polêmico: neste caso, não tenha opinião alguma. Ouça Ana Carolina. Veja o Big Brother e torça pelo mais bonzinho. Ponha catchup na pizza. Enfim, para que dissenso e diversidade na escola? Só para encher o saco.



Módulo 3
Praticando a obviedade

O módulo contém alguns bordões que podem ser usados em qualquer ocasião, visto que, de tão utilizados, já não querem dizer mais nada:
"Só não erra quem não faz."

"Deus ajuda a quem cedo madruga."

"O essencial é invisível aos olhos."

"Eu adoro a Ana Carolina."
"Dinheiro não traz felicidade."



Coffee-break (antigo "lanche")
Oriente-se pelo olfato e use os cotovelos para abrir caminho até a mesa. Seja esperto, senão só sobra leite e pão de forma para você. Não se iluda: em breve essas habilidades serão importantes na carreira.



Módulo 4
Puxando tapetes rumo ao topo

Eu não disse?



Módulo 5
Comodismo como estratégia

OK, o salário é ruim, os ventiladores não funcionam, ninguém limpa o banheiro dos professores e aquela loirinha linda que ensina Geografia anda saindo com um playboy motorizado. Mas o verdadeiro educador não se deixa abater pelas dificuldades (e, pelo visto, também não deve fazer nada contra elas)! Importante é curtir o lado bom das coisas: hoje, por exemplo, tem merenda especial (cachorro quente com ki-suco).



Módulo 6
Contra números não há argumentos

Sim, você já trabalha com seus alunos há quatro anos e nós nunca vimos um deles, nem mesmo de longe, e não sabemos com o que se parecem. E daí? Tudo vai dar certo. Acredite, nossa fórmula é infalível e universal, serve para qualquer aluno. Os números não mentem, e nossos números melhoram a cada ano. Entendeu? Não? E daí? Quem se importa? Comporte-se direitinho que, no final do ano, a Fundação sorteia um ingresso pro show da Ana Carolina.



Nota de esclarecimento:

Esta é uma postagem de ficção.

Qualquer semelhança com telecursos vivos ou mortos é viagem das suas ideias.

O blogueiro nunca assistiu um telecurso, pois não pratica a insanidade de acordar naquele horário para ver televisão.

Nenhum professor de verdade foi ferido durante esta postagem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Blogueiro publicitário

Quer dizer que o prefeito Lacerda está brigando com a turma dos outdoors? Eu ando com tanto serviço que nem notei uma notícia tão relevante e capaz de mudar o meu futuro.

O Canal Fofão é sempre a favor do cumprimento da lei. Mas o problema, em nossa forma de ver, não são os outdoors em si, e sim os anúncios sem atrativos que põem neles.

Mais criatividade, gente! Outdoor, todo mundo faz. Se querem conquistar o mercado, têm que dizer o que o cliente quer ouvir. Resolvi, gratuitamente (de novo), apresentar algumas sugestões nesse sentido.












domingo, 23 de agosto de 2009

Um talibã cristão?


Há alguns meses, li no blog do Antônio Prata: "Então Deus, cansado dos meus pecados, resolveu punir-me: enviou uma obra ao apartamento de cima". Cheguei a rir, imaginando o que o Prata deve ter feito para merecer tão cruel punição.

Só não sabia que chegaria a minha vez. Logo eu, que rompi minhas relações com o Altíssimo há quase vinte anos... opa! Será que é por isso mesmo?

O fato é que o Criador deve supor que os engarrafamentos diários que eu tenho que suportar, em geral em pé dentro de um coletivo cheio de homem e de mulher feia, não constituem um sofrimento suficiente para purificar minha alma e temperar meu caráter. Daí que ele resolveu incrementar o negócio.

Cena 1: engarrafamento na ida para o trabalho. Um motorista bem ao lado do meu balaio resolve passar o tempo ouvindo uma musiquinha. Trata-se de "Entra na minha casa, entra na minha vida", de Régis Danese. Ele deve achar que um louvor matinal só faz bem ao espírito humano, por isso usa toda a potência de seus alto-falantes para socializar sua santidade com a gente.

Cena 2: tudo agarrado na volta do trabalho. Ocorre o mesmo que na cena 1, só que o repertório é daqueles funks cheios de palavrões. Desta vez, um outro cidadão no ônibus ficou tão indignado quanto eu, e decidiu reagir. Reagiu entoando um desses "louvores" aí. Ele deve ser adepto de um ditado muito utilizado aqui no Novo Sumaré: "Se já está mesmo no inferno, o negócio é abraçar o capeta".

Cenas 3 e 4: também na ida. Dessa vez são respeitáveis senhoras que resolvem cantar no ônibus. Será que a Bhtrans(torno) resolveu colocar música ao vivo nos coletivos? Se for o caso, eu posso sugerir um outro lugar para eles colocarem isso.

É evidente que não tenho nada contra a religião de ninguém. O agnóstico é sempre o primeiro a defender a total liberdade religiosa, pois só ela garante meu direito de não ter religião alguma e caminhar livremente rumo à danação eterna.

É uma questão de bom senso. Em um país com tantas crenças diferentes, imaginem se todo mundo resolve professar a sua em voz (e som) alta, em pleno transporte público às 8 da manhã? E se dentro desse ônibus houver um fiel da Universal e um seguidor de cultos africanos? Vai virar um festival de bolacha.

Essas coisas, mais a papagaiada religiosa que tomou conta do futebol (o Juca Kfouri e o Verissimo mataram a pau a esse respeito), mais os padres megaestrelas, mais alguns e-mails absurdos que todos nós recebemos (como aquele texto ridículo do porta-malas) acendem em mim suspeitas e temores muito sérios.

É inerente a qualquer religião a convicção de ser melhor do que as outras. Em si, isso não causa problemas. Mas quando se começa impor a sua prática religiosa no ambiente público, então está em cena a crença de que próprio fiel de A é superior ao fiel de B, portanto tem mais direitos que ele. E aí estaremos a um passo da teocracia.

Que todos os deuses nos livrem de estarmos caindo em uma espécie de talibã cristão, nos moldes daquele que levou Bush Jr. ao poder nos EUA.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Etnografia contemporânea

O blogueiro bloga

O Novo Sumaré, onde moro, pode ser considerado o paraíso dos antropólogos, tamanha a variedade de comportamentos exóticos e culturas - perdoem o etnocentrismo do blogueiro - primitivas que se apresentam à análise do estudioso interessado.

Minha rua (na verdade, uma praça), em especial, parece Macondo (a cidade mítica criada por Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão): pode acontecer qualquer coisa, mas o mais provável é que aconteça algo totalmente desprovido de lógica ou previsão.

Para estimular as atividades dos estudiosos da bizarrice humana (e, quem sabe, aumentar o potencial turístico da região), apresento abaixo algumas atrações especiais de nossa agradável roça vizinhança. Quem sabe o National Geographic resolve fazer uma matéria?

Adoração do fogo
Cerimônia em geral dirigida por idosos, mas respeitada por todas as gerações. Reúne-se grandes montanhas de lixo (preferencialmente folhas secas) e ateia-se fogo, gerando enormes rolos de fumaça que duram de oito a doze horas e entram por todas as casas, espantando os maus espiritos (e também o oxigênio). Diferentemente de outros rituais relacionados ao fogo, aqui os adoradores não dançam em volta da fogueira, apenas a acendem e desaparecem misteriosamente.

Tambores do apocalipse
Trata-se de um ritual que marca a passagem do jovem do sexo masculino à maturidade. Essa passagem, na cultura neo-sumareana, dura uns vinte anos (da puberdade até o jovem gastar todo o dinheiro dos pais e ter que arrumar um emprego). O púbere ganha uma bateria e passa a bater naquilo de forma incoerente e desritmada, enquanto mãe, irmãs e prometidas entram em transe e o saúdam com gritos e gargalhadas. Seria interessante que se pesquisasse a relação desta festividade com eventuais ondas de suicídio coletivo em famílias vizinhas.


Os VÉI piros
São criaturas de ambos os sexos que dormem o dia inteiro e vagam pelas ruas durante a madrugada (o que significa que andam sugando o sangue de alguém). Tomam vinho Campo Largo, quebram as garrafas no chão, "marcam o território" em todas as calçadas e gritam "VÉI" a plenos pulmões, sem que se saiba se isso se trata de um mantra, um grito de guerra ou um apelo desesperado por atenção. Todos já os ouviram, mas ninguém jamais viu um deles de perto. Há quem acredite que são seres humanos.

A Irmandade da Furreca
Em geral, não habitam o Novo Sumaré. São tribos vizinhas que invadem a região em Opalas, Passats, Caravans e até Vemags. Seus "carros" costumam estar caindo aos pedaços, mas sempre são equipados com som ultrapotente e buzinas "criativas" (dessas que imitam jumento, Tarzan, descarga etc.). Também têm hábitos notívagos, pois são mais notados quando acordam trabalhadores.

O misterioso blogueiro furioso
Ninguém sabe se é verdade. Afirma-se, a boca pequena, que um ser enorme e deformado
se esconde em uma velha tapera, dedicando-se a resmungar e a reclamar da vida em um blog. Aqueles que tentam entrar em sua choupana são expulsos a golpes de clava e palavrões abomináveis. À noite, ele se esgueira até uma estranha taberna, onde passa horas a praguejar contra a humanidade.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Blogueiro para vice!

Houve um tempo (1946-1964) em que as eleições para presidente e para vice-presidente eram separadas. Você podia escolher o candidato a presidente de uma chapa e o vice de outra. E, acho, podia se candidatar a vice sem fazer parte de chapa nenhuma. Bons tempos.

Isso não existe mais. Por isso, o blogueiro, que completou 35 anos e já pode ser candidato, vem colocar à disposição de eventuais candidatos a presidente (se possível com chance de vitória) sua candidatura à vice-presidência.

Já sei o que vocês estão pensando: "e por que, meu Deus, por que não à presidência?". Sim, competência e talho para a coisa pública não me faltam. Mas, vamos e venhamos, ser vice é muito melhor.

Ninguém se importa se o vice-presidente bebe ou não. Não se condena sua falta de estudo. Não se estranha quando ele diz que "não sabia" de alguma coisa cabeluda. Se for de origem operária, não vão odiá-lo e querer fritá-lo por isso. No mais, quando esta joça terminar de ir para o buraco, o vice-presidente, seja ele quem for, será o último a levar a culpa. Vice é o melhor cargo público do país, disparado.

Portanto, Fofão para vice-presidente! Vamos começar a campanha. Para melhor informar os candidatos à presidência, anuncio, desde já, minha plataforma.

Educação
Problema muito sério. As pessoas andam cada vez mais sem educação. Ninguém mais diz "bom dia", "obrigado", "por favor", "desculpe". Ninguém cede o lugar no ônibus para senhoras. Ninguém carrega os livros da colega de faculdade. Um terror! Etiqueta social pública, gratuita, de qualidade e para todos, já!

Saúde
Considero uma questão ultrapassada. Ninguém mais diz "Saúde!" ao brindar. Precisamos trazer essa discussão para o presente. Vamos mudar o nome do Ministério da Saúde para "Ministério da Nossa", ou mesmo "Ministério para que nossas mulheres não fiquem viúvas, nossos filhos não sejam chamados de fdp e nossas sogras não se chamem Esperança, porque esperança é a última que morre".

Fazenda
Não gosto. Detesto mato, meu negócio é asfalto. Aliás, Fazenda, BBB, No Limite, não gosto de nenhuma dessas merdas. Reality show para mim, só se for "A Garota FX" ou "Mundo Pornô".

Energia
É preciso assumir o álcool como principal matriz energética brasileira, principalmente no abastecimento de seres humanos. Quanto à camada do pré-sal, é preciso lembrar que ela deve envolver totalmente a picanha, temperando-a na medida certa e conservando sua suculência.

Segurança
Dispenso. Segurança para quê? Alguém já ouviu falar em tentativa de matar o vice-presidente? Segurança que se dane. Aliás, ficar andando em meio a um monte de marombeiros de terno é coisa de boiola.

Meio-ambiente
É preciso combater o efeito estufa. Eu, inclusive, sempre disse ao Zé Maria que a estufa altera o sabor do tira-gosto depois de um certo tempo. O Ministério da Ciência e Tecnologia terá como prioridade o desenvolimento de estufas mais eficientes.

Direitos reprodutivos
Questão complexa. Não se pode abrir mão da reprodução, mas a simples idéia de reproduzir certas pessoas me dá arrepios. Proponho a criação da Carteira Nacional de Paternidade (CNP), nos moldes da CNH. Os candidatos a pai/mãe teriam que ser aprovados em exame psicotécnico e antidoping, bem como em testes práticos, como comparecimento à escola quando convocado, fazer o menino parar de gritar, colocá-lo para dentro de casa etc.

Relações exteriores
Questão fundamental. Tenho um amigo que foi estudar em Paris (com o meu dinheiro) e teve tantas relações exteriores que, à época, dizia-se que ele tinha comido toda a Torre de Babel. Entendo que é uma atribuição do vice-presidente manter relações internacionais com parceiras de alto nível, de todos os países amigos e inimigos, privilegiando sempre a juventude.

É isso aí. Todos à luta. Quem for brasileiro que me siga, mas cada um paga a sua.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Blogueiro decadente convida...

Aconteceu na última sexta, enquanto eu, cansado após uma árdua semana de trabalho, fazia compras em um supermercado próximo à minha casa, pensando na vida e em como pagar as compras.

Enquanto me esticava para alcançar algum item (devia ser macarrão, que o dinheiro não anda dando para muito mais do que isso), senti meu braço ser tocado por uma pele macia e aveludada.


Ao voltar os olhos para ver quem me solicitava de forma tão gentil, deparei-me com uma jovem de seus 23 anos, loura, muitíssimo bem desenhada pela mãe natureza, dois olhos verdes angelicais, quase inocentes.


Conclusão imediata: o papai aqui não é mesmo de se jogar fora. Conserva ainda o discreto charme dos intelectuais experientes. Certamente, a jovem se vira atraída pela minha aparência segura e confiante.

Enquanto preparava rapidamente a baba peçonhenta, dirigi à sereia um "olá" envolto naquele olhar estudado, de solicitude mesclada a mil interesses. E ela me respondeu:


- Ô moço...


"Ô moço", ela disse. "Moço", que, como vocês sabem é o jeito educado de se dizer "velho", "vovô", "coroa", "pé na cova" e vai por aí afora. Imediatamente, meus ombros caíram, minha voz amoleceu e eu me reduzi a um "pois não" burocrático. O jeito certo de um velho se dirigir a uma moça, sem aspas.


Ela continuou. Queria uma dica de carne para preparar um tira-gosto para os amigos. Dirigia-se a mim porque tenho "cara de quem cozinha bem". Tradução para bom entendedor: tamanho barrigudo deve tomar cerveja e comer o dia inteiro, e com certeza sabe tudo de tira-gosto.


Cumpri o protocolo estabelecido para um velho gordo, e dei-lhe as necessárias explicações. Pensei em oferecer-me para preparar o petisco para ela, mas desisti: mesmo que ela concordasse, a única coisa que eu iria comer era a carne. A do boi. E talvez nem isso, pois talvez ela achasse que um sujeito na minha idade e no meu peso não deve andar comendo essas coisas, ainda mais à noite.


Ela agradeceu com um sorriso ainda mais angelical, e com uma voz carinhosa e indulgente, semelhante à que elas usam para se comunicar com os bebês. Elas fazem isso quando te julgam tão inofensivo quanto um bebê.


E foi tão somente por isso, por considerar-me um velho gordo e inofensivo, que aquela beldade se dirigiu a mim naquela sexta à noite. Terminei as compras, mandei entregar em casa e fui tomar cerveja e comer tira-gosto no Bar do Zé Maria. Lá, pelo menos, quase todo mundo que vai é mais velho do que eu.


Essa história, verídica, serve para que não precisem me perguntar qual é a sensação de se completar 35 anos, coisa que me ocorrerá na próxima sexta. A sensação é esta.


Aproveito para convidar todos os leitores (que saltaram de meia para uma dúzia com a adesão dos meus colegas de trabalho) a lamentar comemorar comigo no sábado, às 18h, no Zé Maria (na sexta teria que ser mais tarde, e vocês sabem, na minha idade não se deve ficar tomando friagem). Quem não tem o endereço, basta solicitá-lo pelo e-mail ao lado.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Boteco, só se for autêntico

Ilustração de dzar

Leio no portal da PBH que foi sancionada pelo prefeito Márcio Lacerda (PSB) a lei, de autoria do vereador Alberto Rodrigues (PV), que declara Belo Horizonte a "Capital Mundial dos Botecos" e cria o "Dia Municipal dos Botecos". Deve ser sinal de que BH já não tem mais problema nenhum. Afinal, prefeito e vereadores já estão podendo se preocupar com botecos!

Deixa pra lá. O principal problema é que a citada lei define como botecos "todos os bares, restaurantes e assemelhados". OPA! Pera lá! Boteco é coisa muito séria. Todo boteco é um bar, mas nem todo bar é boteco. Quanto a restaurantes e "assemelhados" (!?!?), nem se fale.
O blogueiro frequenta bar, restaurante, churrascaria, pastelaria etc., com muito gosto, mas é bom não confundir as coisas.

Portanto, segue um guia para você saber se está em um legítimo boteco ou numa dessas imitações que passaram a proliferar em BH:


Bebidas:
boteco vende cerveja (comum), cachaça, conhaque e pouco mais. Vinho? Bem, na linha dos tradicionais Chapinha e Campo Largo até pode (jurubeba e catuaba também pode, mas ninguém chama de vinho). Se a menina não bebe, refrigerante. Boteco não tem suco. Muito menos piña colada, cosmopolitan ou qualquer coquetel azul.

Tira-gosto:
é obrigatório que o boteco tenha, a cada noite, pelo menos um petisco feito em panela (almôndega, carne cozida, dobradinha, pescoço de peru e deixa eu parar que tá dando fome) e dois ou três em chapa (bife acebolado, fígado, linguiça). Torresmo é necessário. Não tem quiche lorraine, torta de frango e nunca, jamais, sobremesa.

Mobiliário:
mesas e cadeiras podem ser de variados materiais, mas o ideal mesmo é o latão, se possível mancando. Antigas mesas de fórmica com aquelas cadeiras com assento de plástico sobre pernas de ferro comovem o blogueiro. Essas cadeiras de plástico que se usam hoje são uma indignidade, pois botequeiro que se preze está sempre acima do peso. E sobre supostas "peças de arte" no lugar das mesas e cadeiras, é melhor calar.

Assunto: mulher, futebol e, eventualmente, carro. Se houver mais de uma senhora presente, deve-se permitir que esculhambem a colega de trabalho por, no máximo, dez minutos (botequeiros são cavalheiros). Se alguém estiver falando sobre o disco do Caetano ou o filme do Walter Salles você está em qualquer lugar, menos em um boteco.

Som ambiente:
rádio só no futebol ou na Hora do Coroa. TV, se e quando houver jogo. No boteco, não param carros com som altíssimo dirigidos por meninos com 45 anos de idade. Quando isso acontece, o boteco vira barzinho. O blogueiro não frequenta barzinhos.

Preços:
se você foi ao boteco e pagou mais do que se tivesse jantado em um três estrelas do Guia Michelin, então você foi enganado. Não precisa ser sordidamente barato, mas não se pode cobrar uma fábula só porque o nome "boteco" está na moda.

Enfim, hoje é sexta. A gente se vê no boteco.

Da série "Vamos todos para o inferno..."

terça-feira, 23 de junho de 2009

De volta, para rir dos hipócritas




Os analistas de política internacional que se escandalizam com a vitória do truculento e bravateiro Ahmadinejad no Irã não pareceram surpresos ou desgostosos com o triunfo,
há poucos meses, em Israel, de Netanyahu, que recusa o direito palestino a um Estado próprio e chamou um facínora reconhecidamente racista (Avigdor Lieberman) para a chancelaria.

A simpatia recebida pela oposição iraniana não se estendeu, em janeiro, aos civis palestinos trucidados em Gaza.

Mais perto daqui, José Sarney aparece na mídia de chifre, rabo e, bem, bigode, como se esses apetrechos tivessem sido recebidos por ele agora, via Sedex. Não me lembro da mesma indignação quando o dono do Maranhão esteve na presidência do Senado por outras duas vezes. Nem quando os desmandos eram assinados por Antônio Carlos Magalhães e gente desse nível.

Aliás, todos os comentaristas políticos apontam, como solução para esses males, uma tal de reforma política. No Congresso, proliferam propostas disto, das mais tacanhas às mais mirabolantes. Até onde sei, porém, nenhum deputado ou senador propõe o voto facultativo, necessário a qualquer sistema que se queira, de fato, democrático.

E nenhum comentarista político ousa lhes cobrar isto.

Barack Obama investe pesado contra os fabricantes de cigarro, principalmente para "proteger" os adolescentes. Palmas para ele.

Fica faltando, porém, a mesma iniciativa contra os fabricantes de batatinhas, refrigerantes, nuggets, guloseimas açucaradas, sorvete, pizza congelada etc., e isto no país mais atormentado mundialmente pela obesidade infantil.

Por falar em batatinha, no Reino Unido esses produtos são sobretaxados em um imposto semelhante ao nosso IPI. Por isso, a Pringles (aquela da caixa cilíndrica) alegou, perante a justiça britânica, que seu produto não é exatamente batata. Só faltou ganhar a ação.

No feriado de Corpus Christi, enquanto a mídia deslumbrada e o público mentalmente impúbere ainda se bestificavam com o acidente da Air France (notícia de duas semanas antes, e típica fatalidade), 86 pessoas perdiam a vida em acidentes só nas estradas federais, só nesse feriado.

Ninguém parece escandalizado. Ninguém comentou isso no boteco. Talvez porque se repita todos os anos.

Por tudo isso e mais alguma coisa, esse blog está de volta. Talvez mais puto da vida, com menos tempo de ver televisão (filme, então, nem pensar), sem um foco muito preciso. Se não der mesmo pra atualizar todo dia, a gente faz umas três vezes por semana.

Mesmo só tendo uns seis leitores, eles são fiéis e, creio, também não engolem a hipocrisia generalizada que tomou conta da mídia. De todas as mídias. O blog não vai mudar nada disso. Mas, com a ajuda de vocês, dá pelo menos para desopilar o fígado.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Blogueiro operário

Aqueles que têm sentido minha falta neste espaço não devem saber que ando... trabalhando. Pois é, isso é contra os meus princípios, mas não ter dinheiro para beber no Zé Maria (que cobra escorchantes R$ 3,45 por uma Skol - Sunab nele!) é muito mais.

Esta bonita (para quem, cara pálida?) experiência tem me permitido algumas observações interessantes sobre o cotidiano obreiro e sobre nossa bela (para quem, cara pálida?) cidade...

Dizem que o prefeito Márcio Lacerda está seriamente preocupado com o trânsito da capital. Imagine ele como não estamos nós, que viajamos dentro daquelas caixinhas verdes, vermelhas e azuis que ele vê na tela de LCD. Agradecemos a solidariedade.

Outro dia, esperei o sinal fechar (para os veículos) e atravessei a avenida Santos Dumont. Um motoqueiro saiu de trás de um ônibus, pela direita e, ao se desviar (a uns vinte centímetros) de mim, soltou um palavrão. Fiquei sem entender. Acho que ele amaldiçoava sua distração ao avançar o sinal.

Por que os casais apaixonados escolhem as calçadas mais congestionadas para andar de mãos dadas, bem devagarinho? E por que os apaixonados motorizados começam a trocar beijinhos justamente quando o sinal abre para o carro deles? Ah, os mistérios do amor!

BH continua sendo a capital das mulheres bonitas, graças a Deus! Mas, às vezes, é perigoso. Semana passada quase fui atropelado por um guarda municipal que pilotava uma espécie de patinete a motor (?!) e se distraiu a apreciar os dotes calipígicos de uma colegial.

A nova Praça da Estação está linda! E continua com o mesmo cheiro de antes. Que coisa chata essa gente que não me deixa fingir que estou em Roma!

Aliás, agora a Praça da Estação tem Internet wireless. Chique, né? Só não entendo porque ninguém se senta nos bancos com seu notebook e começa a navegar. Que cidade mais caipira!

Hoje, ao chegar para o trabalho, um susto: ameaça (só ameaça) de bomba na Rua Guaicurus. Fiquei cabreiro: será coisa do Pedro Cardoso?

A notícia de que eu iria trabalhar nesta rua (nas dependências da Escola de Engenharia, antes que pensem besteira!) gerou alguns maus entendidos. Uma amiga pensou que eu faria edição de filme pornô. Pô, se fosse isso eu seria louco de reclamar do trabalho?

Aliás, um recado a todos os amigos e inimigos: porteiro de zona é o diabo que os carregue!

Outras homenagens recebidas dos companheiros:

"Quando termina o expediente você nem vai pra casa, né?"
"Lembre-se, o vale-refeição é para almoçar."
"Se me vir lá perto do seu trabalho, vê se não grita meu nome!"

O blogueiro agradece emocionado, e coloca-se a disposição para levar recados às mães dos amigos, sempre que necessário.

domingo, 8 de março de 2009

O direito de ver TV (III)

PARTE III:
PAIS MENTECAPTOS

Lembro-me de um domingo de sol, um ou dois anos atrás, em que fui acordado às 11h da madrugada por uma insistente buzina de caminhão, martelada insistentemente. Logo entendi que alguém tivera a brilhante idéia de botar uma criança para brincar(!) ao volante de seu instrumento de trabalho. O engraçado é que eu chegava na janela e não via o tal veículo.

Inocência minha. Quando o barulho me obrigou a fugir em busca do bar menos próximo, percebi que não havia caminhão algum. Um menino pedalava pela rua e disparava a pérfida buzina com toda a disposição. Ou seja: alguém deu de presente a uma criança uma buzina de caminhão para instalar na bicicleta. Isso é o que estamos chamando de pai (ou mãe) mentecapto(a).

Nem é preciso informar que o garoto não morava na minha rua, nem nas imediações. O pai mentecapto padrão fornece a fonte de ruído e manda a peste utilizá-la bem longe. Pode ser bateria (nesse caso o mentecapto sai de casa), walk-machine, mini-bugre, corneta ou o diabo. Principalmente o diabo.

É o mesmo tipo de gente que, quando os filhos estão muito agitados, leva-os para agitar a nossa residência. Aqui em casa, pelo menos, isso não acontece há um tempão, o que significa que meus maus modos devem ter servido para alguma coisa.

Crianças são naturalmente barulhentas e não há o que fazer a respeito, a não ser ficar o mais longe possível delas (o que, no caso da minha profissão, é meio complicado). Um mundo sem criança alguma pode parecer paradisíaco, mas é inviável, pois alguém precisa pagar INSS daqui a trinta anos, quando formos aposentados (além disso, seria complicadíssimo para a minha profissão).

Pais normais compreendem esta situação e procuram limitar o barulho em termos de horário, local e volume. E eles sabem que, como optaram por ter filhos, não têm a alternativa de simplesmente fugir do ruído.

Porém, pais mentecaptos aplicam o raciocínio lá em cima a seus próprios filhos, ficando o mais longe possível deles e mandando-os para perto de nós, que resolvemos não tê-los justamente para não ter que ouvi-los (providência inútil no caso da minha profissão).

Aqui no Novo Sumaré, onde moro, tão logo termina o turno da tarde a rua é tomada por três ou quatro dezenas de pequenos seres humanos(?), que fazem de tudo um pouco, mas, basicamente, gritam. Seria quase normal, se a "função" não se estendesse até depois da meia-noite sem que os pais dêem a mínima. Isso sem falar nos adolescentes que se reúnem no seu portão (nunca no deles) para... gritar.

Isso não é justo, sabe? Nós, os sem filhos, já pagamos mais imposto de renda (quando a lógica determinaria o contrário), já perdemos o canal Boomerang para os pirralhos, já cedemos nosso lugar no ônibus a mães que só carregam a cria para viajar sentadas, e até já temos que suportar a presença de crianças em bares (aliás, já me pediram para apagar o cigarro num bar para não fazer mal à criança, como se o local em si fizesse bem a crianças). Não é justo que tenhamos também que perder nosso filminho brasileiro para que os pais (mentecaptos ou não) possam dar uma relaxada.

Soube que alguns hotéis e pousadas do litoral norte de São Paulo já são "kids free", ou seja, não hospedam ninguém abaixo de 16 anos. A perspectiva de viajar sempre me pareceu asquerosa, mas essa informação talvez me leve a reconsiderar a questão.

P.S.: não era preciso dizer que as crianças não têm culpa de nada disso. O texto deixou mais do que claro. Mas pais mentecaptos são mentecaptos, então, está dito.

sábado, 7 de março de 2009

O direito de ver TV (II)

PARTE II:
CARROS DE SOM


Não confundir com o som automotivo acima. Aqui nos referimos àquele sujeito que tem uma Brasília, Kombi ou "fitim" que, de tão velha(o), já não serve para fazer carreto ou ir para Várzea das Flores passar o domingo. Daí ele instala no teto umas caixas de som e sai dando umas voltas pelo bairro anunciando as casas comerciais da região.

Eu acho que tudo começou com a pamonha. Não, não estamos falando da Regina Duarte, e sim daqueles senhores que dirigiam pelas ruas anunciando pelo microfone: "É a pamonha, pamonha fresquinha, pamonha caseira!". Aquilo até que era divertido, principalmente porque a gente se punha a arremedar o coitado em altos brados: "É a maconha, maconha caseira!".

O problema é que virou moda. Anos mais tarde, vieram o carro do sorvete, o do abacaxi, o do queijo e até mesmo o carro da galinha (é sério! Acho que eram quatro galinhas por dez reais, algo assim). Isso sem falar nos caminhões de gás que tocavam "Pour Elise" a todo volume, às 7h da manhã.

Dentro em pouco, alguma mente deformada empreendedora teve a idéia de vender o serviço para vários comerciantes ao mesmo tempo e faturar um troco. E a coisa virou um problema ambiental, pelo menos no meu bairro.

Os campeões por aqui são dois supermercados (ambos de quinta categoria) que parecem competir para ver quem incomoda mais. Um deles divulga as ofertas ao som daquele "sertanejo universitário" que diz: "pois não hááááááá lugar melhor que BH". Melhor para quem?

Há ainda tem uma loja de móveis que pirateia o prefixo do "Plantão" da Globo
("tá-tatá-tatá-tatatatá"...). Você toma um susto e sai correndo para a frente da TV achando que estourou uma guerra nova ou que o Roberto Carlos bateu as botas, mas é apenas uma liquidação de estofados.

Também o mercado da fé está tomado por estes celerados. A Igreja Universal sempre passa divulgando a "Sessão do Descarrego" e informando os sintomas de possessão demoníaca (eu fico até meio cabreiro, porque quando acordo de ressaca tenho todos eles: vejo vultos, ouço vozes, sinto tonteiras, não tenho um puto no bolso etc.).

Bom, eu acho que eles fazem
isso em todos os bairros. Mas aqui o padre católico resolveu contra-atacar na mesma moeda. E tome anúncio de missa, novena, via sacra, procissão, quermesse e vai por aí afora. Por ocasião do 12 de outubro o anúncio do padre, mostrando todo o seu bom senso, pedia para os fiéis "soltarem muitos fogos" (!).

Quanto aos períodos eleitorais, é melhor nem comentar...

Toda vez que eu fico bravo com esses produtores de surdez vem alguém para fazer uma cara de reprovação e me lembrar de que "esse é o trabalho deles". Ah, sim, me desculpem. Os caras lá trabalhando e eu aqui querendo ver televisão. Não vou mais reclamar. Só espero que o enorme número de policiais, bancários, garçons, vigias, padeiros etc. que trabalham toda a noite e não podem dormir durante o dia porque esses caras estão "fazendo o trabalho deles" tenha a mesma compreensão que eu.

Por falar nisso, a Câmara Municipal de Belo Horizonte diz ter regulamentado o serviço de carros de som, com a desculpa de que ele emprega mil pessoas (grande solução para o desemprego numa cidade de três milhões de habitantes). Eles podem rodar "só" de 9h às 18h, e a pelo menos 100m de escolas e hospitais (tudo isso? Que ótimo! Pena que o som que eles emitem tenha um alcance no mínimo duas vezes maior). Ah, e não podem circular na região da Savassi.

Tá vendo? Quem me mandou vir parar aqui na Vila Perifa? Se eu morasse na Savassi e me alimentasse basicamente de capuccino e cigarros de canela, hoje não precisaria de um transplante de tímpanos. É como cagar sujar a água do rio: só vai incomodar quem mora mais embaixo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O direito de ver TV (I)

Muitas são as coisas que prejudicam nosso sagrado direito de ganhar peso e perder inteligência passando o dia inteiro (e a noite também) na frente da TV. Em geral, estão ligados ao estranho "estilo de vida" desse milênio supostamente novo. Vamos analisar o fenômeno em uma série de posts.

PARTE I:
SOM AUTOMOTIVO

"Som automotivo" é um eufemismo para "equipamento de som contrabandeado por um bandido, instalado no carro de um idiota e ligado em um volume que contraria a lei, o bom senso e a Organização Mundial de Saúde."

Esse fenômeno não respeita horários, inclusive sua incidência é bem maior após as 22h. Aqui em casa, em certos horários, eu só assisto a programa legendado, que é para não me estressar, ou antes, para me estressar menos. Afinal, não deixa de ser estressante ver um filme de Costa-Gavras e de repente o som original ser substituído por uma voz de bezerro gritando que "os treta e os correria vão me ajudar".

Aliás, há duas coisas que você nunca vai ver em um carro com um som desses. A primeira é música boa. Não só porque quem põe essa coisa no carro tem sinapse neural insignificante e é incapaz de fazer escolhas consequentes, mas também porque até Beethoven ou Chico Buarque ficariam insuportáveis naquele volume.

A segunda coisa que você não vai ver ali é mulher. Até porque não cabe. Em geral, são quatro ou cinco marmanjos amontoados lá dentro, "dando rolé" e, supostamente, "trocando idéia" com as meninas.

Fala sério. Nenhuma menina não retardada se aproxima de um veículo com quatro desocupados, som altíssimo e adesivos espirituosos do tipo "Aqui só entra filé" ou "No Vaca" (isso quando não é uma enorme marca de material esportivo no vidro traseiro).

Nem sempre foi assim. Lembro-me de que, há uns quinze ou vinte anos atrás, o cidadão (?) encostava o carro no barzinho, ligava o aparelho de tortura e chovia mulher. Esses meninos de hoje devem achar que vai acontecer o mesmo com eles.

Só que não vai. Primeiramente, porque não podem ir ao boteco, já que gastaram todo o dinheiro no som e o troco com gasolina. E, principalmente, essas meninas de hoje são filhas daquelas que se penduravam nos "motorizados" de outrora. Elas olham para as mães delas e vêem gente frustrada e sem futuro. Olham para os pais e vêem quarentões que se juntam em grupos para agir feito crianças e deixam de pagar a pensão para comprar alto-falantes novos.

E aí elas fogem. Vão procurar um sujeito que tenha emprego razoavelmente fixo, estude alguma coisa e tenha um Uno Mille não muito novo, mas pago. E não precisa ter som. Ah, e elas não vão mais a botecos, e sim a casas de shows (algumas, deploráveis). E não bebem mais cerveja, e sim "ice drinks", ou então em vez de beber preferem... bem, isso já é outra história.

Enquanto isso, o "som automotivo" continua assombrando a minha rua, infernizando meus ouvidos e me impedindo de ver filmes brasileiros. É contra a lei em qualquer horário, mas a polícia não está nem aí. E nem adiantaria, já que esses
lumpen-playboys, por incapacidade mental, devem ser inimputáveis.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

EXTRA! EXTRA!

Este blog vai passar a levar a sério a expressão "o que me der na telha" escrita lá em cima. Por vários motivos, entre os quais se destaca a total falta de assunto no que diz respeito a cinema e televisão. Outro dia eu já criticava o colunista Daniel Castro, da Folha, por publicar fuxicos. E vamos dar uma olhada na coluna dele de hoje:

SEXO NO CATIVEIRO
Pelo menos um casal de "Big Brother Brasil 9" já praticou sexo dentro do confinamento: Ralf e Milena. Imagens inéditas arquivadas pela Globo não deixam dúvidas sobre isso.


Fontes exclusivas do Canal Fofão informam que o Ministério da Justiça está coordenando uma força-tarefa para desbaratar essa pouca vergonha. Elementos da Abin farão um estudo estratégico do Projac. Caberá à Polícia Federal instalar câmeras e escutas clandestinas (mais?) para detectar a sacanagem, e um comando de pára-quedistas do Exército invadirá a casa, fuzilando o casal indecente e prendendo os demais participantes.

Pedro Bial será detido para prestar esclarecimentos a seu xará Pedro Cardoso, que dirá ser o incidente a prova definitva de que "
A pornografia se disfarçou de entretenimento ou arte para poder assim ser vendida no ambiente familiar, e atingir um número maior de pessoas."

Outra, na mesma coluna, ainda hoje:

EGOS
"Poder Paralelo", nova novela da Record, está com um problema curioso (mas não inédito): Paloma Duarte e Marcelo Serrado, que formam um casal, não se bicam. Ou melhor, não se beijam na boca.


Não há de ser nada. Tudo nessa vida se resolve com diplomacia. Neste caso, a intervenção da ONU é cogitada. Consta que Ban Ki-Moon gosta muito de novela, e se identifica muito com aquelas da Record que têm mutantes. Um protocolo de intenções seria fechado entre representantes dos dois atores, para estabelecer duração do beijo, movimentos linguais (ou não), antissépticos bucais a serem utilizados etc.

Depois disso, um esquadrão de boinas azuis equatorianos seria enviado para evitar que os atores se estapeem no estúdio e ponham todo o acordo de paz a perder. Observadores internacionais, capitanteados por Jimmy Carter, acompanharão as gravações para fiscalizar o cumprimento do protocolo. O comando de toda a operação caberia a Pedro Cardoso, para impedir que haja "cenas de nudez, ou semi-nudez, ou roupas sensuais, ou diálogos maliciosos, ou beijos intermináveis".

Uma última colocação: o blogueiro não discute as razões de Marcelo Serrado. Mas, sempre no intuito de colaborar com a gloriosa dramaturgia nacional, dispõe-se a beijar a Paloma Duarte sempre que for (ou não) necessário.