quarta-feira, 4 de março de 2009

O direito de ver TV (I)

Muitas são as coisas que prejudicam nosso sagrado direito de ganhar peso e perder inteligência passando o dia inteiro (e a noite também) na frente da TV. Em geral, estão ligados ao estranho "estilo de vida" desse milênio supostamente novo. Vamos analisar o fenômeno em uma série de posts.

PARTE I:
SOM AUTOMOTIVO

"Som automotivo" é um eufemismo para "equipamento de som contrabandeado por um bandido, instalado no carro de um idiota e ligado em um volume que contraria a lei, o bom senso e a Organização Mundial de Saúde."

Esse fenômeno não respeita horários, inclusive sua incidência é bem maior após as 22h. Aqui em casa, em certos horários, eu só assisto a programa legendado, que é para não me estressar, ou antes, para me estressar menos. Afinal, não deixa de ser estressante ver um filme de Costa-Gavras e de repente o som original ser substituído por uma voz de bezerro gritando que "os treta e os correria vão me ajudar".

Aliás, há duas coisas que você nunca vai ver em um carro com um som desses. A primeira é música boa. Não só porque quem põe essa coisa no carro tem sinapse neural insignificante e é incapaz de fazer escolhas consequentes, mas também porque até Beethoven ou Chico Buarque ficariam insuportáveis naquele volume.

A segunda coisa que você não vai ver ali é mulher. Até porque não cabe. Em geral, são quatro ou cinco marmanjos amontoados lá dentro, "dando rolé" e, supostamente, "trocando idéia" com as meninas.

Fala sério. Nenhuma menina não retardada se aproxima de um veículo com quatro desocupados, som altíssimo e adesivos espirituosos do tipo "Aqui só entra filé" ou "No Vaca" (isso quando não é uma enorme marca de material esportivo no vidro traseiro).

Nem sempre foi assim. Lembro-me de que, há uns quinze ou vinte anos atrás, o cidadão (?) encostava o carro no barzinho, ligava o aparelho de tortura e chovia mulher. Esses meninos de hoje devem achar que vai acontecer o mesmo com eles.

Só que não vai. Primeiramente, porque não podem ir ao boteco, já que gastaram todo o dinheiro no som e o troco com gasolina. E, principalmente, essas meninas de hoje são filhas daquelas que se penduravam nos "motorizados" de outrora. Elas olham para as mães delas e vêem gente frustrada e sem futuro. Olham para os pais e vêem quarentões que se juntam em grupos para agir feito crianças e deixam de pagar a pensão para comprar alto-falantes novos.

E aí elas fogem. Vão procurar um sujeito que tenha emprego razoavelmente fixo, estude alguma coisa e tenha um Uno Mille não muito novo, mas pago. E não precisa ter som. Ah, e elas não vão mais a botecos, e sim a casas de shows (algumas, deploráveis). E não bebem mais cerveja, e sim "ice drinks", ou então em vez de beber preferem... bem, isso já é outra história.

Enquanto isso, o "som automotivo" continua assombrando a minha rua, infernizando meus ouvidos e me impedindo de ver filmes brasileiros. É contra a lei em qualquer horário, mas a polícia não está nem aí. E nem adiantaria, já que esses
lumpen-playboys, por incapacidade mental, devem ser inimputáveis.

Um comentário:

Resíduos Sólidos disse...

aaaaaaaaaa.....vai da meia hora de cu! . se o cara gosta dexa ele ué..haha..ateh 00:00 hrs pode fazer o barulho que quiser..e não é todo mundo q tem som q eh pobre e gasta todo o dinheiro em som. tem playboy q gasta dinheiro em som e bebe wisky 18 anos..¬¬' eu particularmente não gosto de som muuuito alto. mais tambem nm precisa ter apenas 4 auto falantes nas portas neh!..
;)

vlw