É chegar dezembro, e Belo Horizonte é tomada por duas forças incontroláveis: uma chuva que nos encharca até os ossos e a iluminação de Natal. E da chuva não adianta eu reclamar, pois não creio que os responsáveis por ela leiam meu blog.
É impressionante como a prefeitura desta cidade consegue fingir o tempo todo que está administrando Zurique. Vejam vocês no
Uai que esse ano vão gastar R$ 180 mil em luzinhas coloridas. Até um anjo vão botar na Lagoa da Pampulha (coitado do anjo...). Alguém dirá que, de um prefeito poste, só se pode esperar mesmo iluminação. Mas, falando francamente...
Eu ia dizer que não se deve desperdiçar dinheiro público com decoração de época. Ia sugerir que o prefeito selecione 36 escolas municipais, dê R$ 5 mil para cada uma e espere para ver se vão gastar com luzes de Natal. Também ia lembrar que o mundo inteiro está tentando economizar energia, enquanto o poste nos dá esse ótimo exemplo. Mas isso tudo vocês já perceberam, com toda certeza. O que mais me incomoda são duas outras coisas.
Em primeiro lugar, meus amigos, esse negócio de luzinha de natal é a coisa mais baranga da face da Terra! A cidade fica parecendo Las Vegas. No mau sentido. Quem duvida, que preste atenção na Praça da Liberdade quando passar lá à noite. Dá vontade de chegar para uma daquelas árvores e perguntar quanto é o programa.
Em segundo lugar, isso tudo é uma grande hipocrisia. Peço licença para contar uma historinha.
Há alguns anos, um dono de bar na minha rua (não era o Zé Maria não, hein?!) queria que todos contribuíssemos para a compra dessas luzinhas malditas, que decorariam a praça onde ficava o bar. Evidentemente, nos recusamos. E um de nós (não posso dizer que foi o Zebrão) colocou a coisa em pratos limpos:
- Você rouba da gente na conta, transa com mulher dos outros, vive de trambique o ano inteiro e agora me vem com essa de espírito natalino? Vá...
E mandou o dono do bar a um lugar que eu não vou escrever aqui, porque estamos em época de Natal.
É mais ou menos a mesma coisa, só que em escala municipal. Atravessamos fora da faixa, estacionamos em cima da mesma, fechamos os cruzamentos, fazemos barulho muito além do suportável, vandalizamos orelhões, roubamos tampas de bueiro, vibramos quando a polícia mata um menor de rua e agora vamos todos nos emocionar com luzinhas coloridas? Ah, vão... (não vou dizer para onde devem ir, porque é Natal).
(Lembro-me, ainda, que o digno dono do bar, naquela ocasião, comprou um desses cordões de luzinhas por sua conta e risco e jogou em cima de uma árvore na praça. Não sei se foi de propósito - deve ter sido -, mas a coisa ficou com a exata forma de um peito. É, um peito de mulher. Naquele ano, tivemos uma bonita teta de Natal.)