segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Aos vencedores, as batatas!

O troféu que se disputa

Como previsto, encerrou-se na semana passada a votação do I Troféu Cocoroca de Ouro, conferido pelo Canal Fofão aos piores do ano na TV brasileira em 2009.


Gostaria de agradecer aos valorosos eleitores. Para quem esperava cerca de dez votantes, vinte foi um número excepcional. Na edição de 2010, seremos milhões.

Quanto ao resultado (que vocês podem conferir na página do prêmio), o que mais chamou a atenção foi o desempenho espetacular da TV Globo, vitoriosa em todas as categorias em que foi indicada. Pudemos, assim, perceber que o famoso "padrão Globo de qualidade" continua em alta. Parabéns à Vênus Platinada!

As mais altas votações foram alcançadas pelo especial de natal da Xuxa (68%), pelo reputado locutor Galvão Bueno (66%) e pelo reality show BBB9 (63%), que também foi eleito o pior programa do ano.

Em breve, será realizada a cerimônia de entrega do troféu Cocoroca de Ouro aos programas e profissionais agraciados. Eu gostaria de convidar vocês, mas não vai dar. Sabem como é... só vai gente bonita e famosa, do tipo que sai bem na "Caras". Foi mal.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Clint, Mandela e...

Eu queria ser um mosquitinho...

Estreia amanhã no Brasil "Invictus", de Clint Eastwood. Se não está no mesmo nível dos melhores filmes do diretor, como "Os Imperdoáveis" ou "Gran Torino", por outro lado está muito longe de ser uma decepção. Veja o trailer.

O tema, como vocês já devem saber, é a África do Sul logo após a eleição de Nelson Mandela (vivido um tanto burocraticamente por Morgan Freeman). Lá, o apartheid chegou também aos esportes: o rugby era praticado e acompanhado basicamente por brancos, enquanto os negros sempre preferiram o futebol.

Mandela sabia que precisava de um mínimo de aceitação entre a minoria branca para poder governar. Uma das táticas que utilizou para atrair este público foi a valorização da seleção nacional de rugby, cujos símbolos, cores e nomes ele decidiu proteger, mesmo sabendo serem eles associados ao apartheid. Além disso, colou sua imagem à do capitão do time, François Pienaar (Matt Damon, nota 6, como sempre) e fez com que a seleção se aproximasse da maioria negra. A Copa do Mundo de 1995, disputada no país, viria a selar esta precária unidade.


Não se trata de magnanimidade, e sim da mais básica racionalidade política. A certa altura do filme, a assistente pessoal de Mandela o questiona por negligenciar compromissos importantes para atender aos interesses esportivos de "uma minoria". Sem perder a calma, ele responde que esta minoria controla o exército, a polícia e a economia. Logo...


Eastwood, porém, sabe que cinema é dinheiro (pelo menos, o americano) e que o público de cinema (não só o americano) não costuma pagar para ver filmes sobre cálculo político. Assim, embrulha toda essa racionalidade em um discurso extremamente emocional (quase piegas) sobre paz e reconciliação, além de ceder o espaço de praxe aos dramas pessoais e familiares do protagonista. Excelente para as moçoilas que amam sair da sessão enxugando os olhos.

Ocorre que isso não compromete o filme e, pensando bem, Mandela, em público, sempre preferiu falar sobre paz e reconciliação do que dar aulas de racionalidade política. Assim, de uma forma curiosa, o discurso emotivo torna "Invictus" mais realista, não menos. De qualquer forma, o diretor parece ter aprendido com Mandela ao seguir o pragmático caminho de tentar agradar a todos os públicos.

Impossível, do lado de cá do Atlântico, não comparar a atuação do líder sul-africano com o governo igualmente conciliador de Lula, sem falar em suas metáforas futebolísticas e na prioridade (absolutamente questionável) dada à conquista do direito de sediar grandes eventos esportivos.

Outros paralelos também seriam possíveis. Lá, como cá, temos governantes que (inevitavelmente, talvez) decepcionaram alguns antigos correligionários. Aqui, como lá, temos governos de líderes populares visceralmente odiados por elites que se julgam de sangue melhor e se acham donas do mundo. Mas esses já seriam assuntos para um texto à parte.

Restaria, ainda assim, a tentação de sugerir a Clint (se algum vizinho dele lê esse blog, faça-me esse favor) realizar um filme sobre o Luiz Inácio. Assim como "Invictus", poderia ser meio brega, desde que fosse realista.


Como é? Já fizeram um? Ah, sim, fiquei sabendo. Mas esse eu não vi. E não gostei.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Blogueiro de volta

Toda máquina precisa de manutenção


Olá, meu povo.

Vocês certamente perceberam que meu sumiço de duas ou três semanas se deveu a um pequeno périplo que fiz entre Londres, Paris, Berlim e Roma, familiarizando-me com as últimas novidades do mundo das artes, da cultura e das ideias.

Pois perceberam errado.

Eu estava aqui mesmo, lutando contra o famigerado Windows Vista e familiarizando-me com sistemas, discos, partições, formatações etc.

Pude também cultivar o saudável hábito da sauna, passando os dias fechado em meu quarto durante o agradável verão belorizontino.

Ainda estou em guerra contra a Microsoft, portanto não sobra muito tempo para escrever. Vou tentar aparecer todos os dias indicando algo de bom que li ou vi por aí, como a crônica do Verissimo aí embaixo.

Se eu sumir de novo, procurem no Vale do Silício, para onde terei ido com o firme intuito de trucidar o Bill Gates.

Planos, direitos e verdades

Monumento Tortura Nunca Mais, Recife-PE


Há semanas que venho querendo postar um texto sobre toda a celeuma fabricada pela imprensa em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Ocorre que não se pode escrever algo desse tipo de qualquer maneira. Então, ontem, topei com uma pequena crônica de Luis Fernando Verissimo sobre o assunto. Ela diz praticamente tudo o que eu penso a respeito, e com uma economia de palavras da qual não sou capaz. Segue.

Planos e direitos

Luis Fernando Verissimo

Só li do tal Programa Nacional de Direitos Humanos o que saiu, em fragmentos, nos jornais. Se entendi bem, o que eu duvido, este plano é uma versão revisada de um anterior, que por sua vez era uma revisão de um mais antigo. O que sugere que ou o novo plano altera radicalmente as propostas dos outros, ou o escândalo que se faz com ele é indefensável. Por que o escândalo, e só agora? Pelo que li, não são grandes as diferenças entre o terceiro plano e os dois anteriores, inclusive o que é dos tempos do Fernando Henrique. E não há discrepância entre suas propostas e o que está em discussão, hoje, no resto do mundo civilizado. Coisas como a descriminalização do aborto e o casamento de gays são debates modernos, mesmo que não impliquem mudanças imediatas. A proibição de símbolos religiosos em repartições públicas é consequência lógica do velho preceito da separação de igreja e Estado, que não deveria melindrar mais ninguém – pelo menos não neste século. A ideia de novos anteparos jurídicos para mediar os conflitos de terra é de uma alternativa sensata para a violência de lado a lado. E a obrigação de proteger os direitos e a integridade de qualquer um da prepotência do Estado e do excesso policial, alguém é humanamente contra?

***

O novo plano peca pela linguagem confusa e inadequada, em alguns casos. A preocupação com o monopólio da informação de grandes grupos jornalísticos, e com a qualidade da programação disponível, também é comum em todo o mundo. Muitos países têm leis e restrições para enfrentar a questão sem que configurem ameaças à liberdade de opinião e de expressão. E sem sugerir o controle de redações e o poder de censura que o tal plano – em passagens que devem ser imediatamente cortadas, e seus autores postos de castigo – parece sugerir.

***

Sobra a questão militar. Em nenhum fragmento do plano que li se fala em anular a anistia. O direito humano que se quer promover é o do Brasil de saber seu passado, é o direito da nação à memória que hoje lhe é sonegada. Só por uma grande falência da razão, por uma irrecuperável crise semântica, se poderia aceitar verdade como sinônimo de revanche.


Nota do blogueiro: para evitar confusões, é bom esclarecer que existe, e eu apoio, uma campanha pela não extensão da anistia a torturadores e assassinos que agiam em nome da ditadura militar nos anos 60 e 70. Mas o PNDH-3 nada tem a ver com ela.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Grande corrente cívica!!!




O Canal Fofão está lançando mais uma iniciativa de caráter humanitário, com vistas a sanear o ambiente intelectual e moral de nossa sociedade.

Trata-se do Primeiro Troféu Cocoroca de Ouro, a ser concedido aos piores da TV brasileira no ano de 2009, divididos em 16 categorias.

O blogueiro tem grandes expectativas quanto ao alcance da iniciativa. Se todos os seus leitores participarem, deveremos ter mais de dez votantes.

A qualidade dos candidatos não é a única semelhança entre esta votação e as eleições para cargos políticos. Lá como cá, não basta votar: é preciso divulgar o processo, fazer campanha para seus candidatos, discutir as melhores candidaturas. É preciso participação.

Então, vamos lá. Mobilizem-se. O seu país conta com você. Para votar, clique aqui ou no banner apelativo aí em cima.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Aaaah, o Natal!...

© Blitzkrieg | Dreamstime.com

Está chegando o Natal, crianças! Este blogueiro adora o Natal!

É a época em que as pessoas expressam, através dos presentes, o quanto gostam umas das outras. E tem gente que gosta dos outros pra burro!!! É só dar uma olhada em alguma Mesbla* da vida: o alto-falante anuncia uma promoção de lençóis e as senhoras começam a disputá-los na base de pontapés, pescoções e cabeçadas (é ainda mais bonito quando a promoção é de facas...). E o mais bonito: tudo isso ao som de "Jingle Bells", "Noite Feliz" e vai por aí afora...

Todo o sacrifício compensa, porque é para dar um bom presente ao seu amigo oculto. E, se você ganhar um jogo de pega-varetas ou um CD da Ana Carolina, o que é que tem? O que vale é a intenção!

E, no Brasil, temos ainda outra vantagem: aqui é verão no Natal. Nada de neve! Temos todo o conforto de nossos 46º à sombra para fazer nossas compras. Isso, claro, enquanto não chove. Até o trânsito muda na hora em que chove. É como se o mundo estivesse sendo lavado para a chegada do Menino Jesus (BH costuma ser lavada até por debaixo do asfalto). Todo mundo para pra ver, e fica parado horas e horas.

E, quando a chuva para, os motoristas fazem questão de passar por cima das poças, pra refrescar a gente na calçada. Solidariedade natalina é isso aí! Aliás, se você quer saber o que é solidariedade, tente arranjar um táxi no centro da sua cidade, no dia 24, às 18h, na chuva... Ou tente pegar um ônibus, se a ideia é avacalhar de vez.

Mas, independente de presentes, o Natal é a festa da família. É quando os parentes se reúnem e, depois de quatro ou nove garrafões de vinho (e de assistir "E.T." pela nona vez na Globo), resolvem relembrar ressentimentos de 1973, bem na hora de cortar o pernil. Aí, a faca da promoção da Mesbla volta a entrar em ação, e as sirenes do SAMU fazem um bonito dueto com os hinos natalinos.

No dia 25, a gente acorda no chão às 16h e começa a se preparar para o grande evento da noite: o especial de Roberto Carlos. Que, este ano, recebe Calcinha Preta e Daniel.

Aaaah, o Natal!...

* Mesbla: loja da infância do blogueiro, muito famosa em meados do século passado.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Mensagem de um estadista


Eu e a minha mana

Como vocês já sabem, o governador das alterosas desistiu de ser candidato a presidente. Fê-lo através de uma carta muito bonita, endereçada a seu partido. Mas como vocês não têm um pingo de mineiridade ou espírito cívico, vão ficar com preguiça de lê-la na íntegra. Então, em mais um serviço de utilidade pública, o Canal Fofão resume e traduz a mensagem de nosso bravo líder montanhês para o vocabulário rastaquera de vocês. Segue:

"É o seguinte, cambada,

Bem que eu queria ser o candidato dessa peba de partido. Ia até disputar as prévias com o careca, mas parece que ele ficou com medo, ou então são vocês que têm medo de mim, sei lá. Então eu desisti já tem uns seis meses, mas a minha irmã disse pra só anunciar no final do ano, que é pra dar impacto.

Ia ser o bicho, porque eu ia juntar todo mundo na minha candidatura: Jesus, Belzebu, Maomé, Exu Caveira, Moisés... Até com aquele pé-rapado barbudo do Palácio do Planalto eu queria fazer acordo, mas parece que ele cismou de apoiar a gorda. Fazer o quê, né?...

O caso é que vocês, da direção, são muito burros. Ficam nessa aí de rivalizar com aquele partido despeitado, não sei para quê. Imagina eu ao lado do barbudo: não tem como perder. Depois, a gente podia governar sem oposição, que, aliás, é uma coisa ultrapassada: em oito anos na oposição, só ficamos enchendo o saco deles. No fundo, somos todos iguais...

RÁ RÁ RÁ!!! Não, não, agora sério, não somos, mas podemos ficar todos iguais. É só uma questão deles fazerem uma lipo básica e aprenderem a usar o garfo de sobremesa.


Então, é o seguinte: eu vou ser candidato a Senador, porque assim não preciso nem sair de casa. Esse povo daqui só sabe votar em mim, mesmo. E, se quiserem votar em outro, é só eu chamar a minha irmã para eles. Além disso, quanto mais notícias eu vejo do Senado, mais acho que tenho vocação para Senador!

Lá, eu poso de bacana de qualquer jeito: se der o Careca, eu viro o cara mais importante do governo. Se der a gorda, eu viro o cara mais importante do governo (querem apostar?). E, daqui a oito quatro anos, eu volto. Ô, se volto.

Boa sorte ao careca, mas, não conta pra ninguém, eu prefiro a gorda. Sai melhor nas fotos comigo.

Enfim: e agora, José?"

domingo, 13 de dezembro de 2009

Blogueiro muito importante

Água que pé-rapado não bebe

Eu ontem fui ao cinema. O bom de ir ao cinema é que a gente sempre aprende alguma coisa.

Ontem, mesmo, eu aprendi muito sobre o valor das coisas. Quando desci do ônibus no centro da cidade, comprei uma garrafa de água por R$ 1,30. Ela tinha 500 ml. Então, o preço por litro da água seria R$ 2,60.

Estava muito calor e a sede continuava (ressaca, eu?!?!). Por isso quando cheguei ao cinema comprei outra garrafa, que custou R$ 2. Esta, porém, tinha 350 ml. Ou seja: R$ 5,71 o litro. Mais que o dobro, portanto.

Passei, então, a interrogar-me: o que poderia fazer uma água tão mais cara que a outra? Inicialmente, pensei no fato de a primeira vir em uma garrafa azul ordinária, enquanto a segunda estava numa garrafa bonitinha com um rótulo transado. Cheguei mesmo a pensar que a boa gente da Usina de Cinema estava tentando me fazer de otário. Mas, que nada...

Era justamente o rótulo que continha a explicação. Não por ser bonitinho (bem... por isso também), mas por trazer as três letrinhas mágicas: VIP. Que, como vocês sabem, significa "pessoa muito importante", em inglês.

Aaaaaaah, bom!!!! Então, assim, sim! Eu pago mais caro pela água porque, quando vou à Usina, viro uma pessoa muito importante (e, pelo jeito, desviro quando saio de lá). Gente importante, como eu, não bebe a mesma água que vocês, que não têm importância nenhuma.

Entenderam, seus merdas?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O poste e suas luzes

E lá se vai a minha grana para
o esg... digo, para a Lagoa.


É chegar dezembro, e Belo Horizonte é tomada por duas forças incontroláveis: uma chuva que nos encharca até os ossos e a iluminação de Natal. E da chuva não adianta eu reclamar, pois não creio que os responsáveis por ela leiam meu blog.

É impressionante como a prefeitura desta cidade consegue fingir o tempo todo que está administrando Zurique. Vejam vocês no Uai que esse ano vão gastar R$ 180 mil em luzinhas coloridas. Até um anjo vão botar na Lagoa da Pampulha (coitado do anjo...). Alguém dirá que, de um prefeito poste, só se pode esperar mesmo iluminação. Mas, falando francamente...

Eu ia dizer que não se deve desperdiçar dinheiro público com decoração de época. Ia sugerir que o prefeito selecione 36 escolas municipais, dê R$ 5 mil para cada uma e espere para ver se vão gastar com luzes de Natal. Também ia lembrar que o mundo inteiro está tentando economizar energia, enquanto o poste nos dá esse ótimo exemplo. Mas isso tudo vocês já perceberam, com toda certeza. O que mais me incomoda são duas outras coisas.

Em primeiro lugar, meus amigos, esse negócio de luzinha de natal é a coisa mais baranga da face da Terra! A cidade fica parecendo Las Vegas. No mau sentido. Quem duvida, que preste atenção na Praça da Liberdade quando passar lá à noite. Dá vontade de chegar para uma daquelas árvores e perguntar quanto é o programa.

Em segundo lugar, isso tudo é uma grande hipocrisia. Peço licença para contar uma historinha.

Há alguns anos, um dono de bar na minha rua (não era o Zé Maria não, hein?!) queria que todos contribuíssemos para a compra dessas luzinhas malditas, que decorariam a praça onde ficava o bar. Evidentemente, nos recusamos. E um de nós (não posso dizer que foi o Zebrão) colocou a coisa em pratos limpos:

- Você rouba da gente na conta, transa com mulher dos outros, vive de trambique o ano inteiro e agora me vem com essa de espírito natalino? Vá...

E mandou o dono do bar a um lugar que eu não vou escrever aqui, porque estamos em época de Natal.

É mais ou menos a mesma coisa, só que em escala municipal. Atravessamos fora da faixa, estacionamos em cima da mesma, fechamos os cruzamentos, fazemos barulho muito além do suportável, vandalizamos orelhões, roubamos tampas de bueiro, vibramos quando a polícia mata um menor de rua e agora vamos todos nos emocionar com luzinhas coloridas? Ah, vão... (não vou dizer para onde devem ir, porque é Natal).

(Lembro-me, ainda, que o digno dono do bar, naquela ocasião, comprou um desses cordões de luzinhas por sua conta e risco e jogou em cima de uma árvore na praça. Não sei se foi de propósito - deve ter sido -, mas a coisa ficou com a exata forma de um peito. É, um peito de mulher. Naquele ano, tivemos uma bonita teta de Natal.)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Você é "muderno"?


"Modernidade", falando superficialmente, seria um período na história do ocidente marcado pelo primado da razão, pela economia industrial e pelo Estado democrático, entre outros fatores. Sendo assim, é melhor deixar pra lá, que essa modernidade aí parece que já foi pro saco...

O que temos, agora, é "mudernidade": atributo de quem é "muderno", "in", "up to date", entenderam? Não? Nem eu. Ninguém entendeu. "Mudernidade" é um estilo de vida, sacaram? E só tem um jeito de você saber se é "muderno" ou não: realizando mais esse teste do Canal Fofão.

1 - Para merecer namorar uma filha sua, um cidadão deve, em primeiro lugar:

A) Matar você ou sofrer as consequências de te deixar vivo.
B) Ter emprego fixo (mãos calejadas contam pontuação extra), fazer faculdade à noite e ser católico praticante.
C) Basta ter sido escolhido(a) por ela e tê-la escolhido também.
D) Ter dinheiro (muito, se possível) e assinar um contrato prevendo indenização em caso de rompimento.
E) Usar uma boa loção pós-barba, entender de vinhos e gostar da Ana Carolina.

2 - Com que frequencia você troca seu aparelho de celular?

A) Aparelho de quê?
B) Quando roubam o meu.
C) A vida são trocas. Mas esse "selo" aí eu já não tenho mais, não.
D) Quando a operadora me dá um de graça.
E) Qual dos meus quatro aparelhos?

3 - Quais foram os três últimos utensílios domésticos que você comprou?

A) Lampião - bacia de banho - vara de marmelo.
B) Enceradeira - ebulidor - magiclick.
C)
Porta-incenso de bambu, coletor de sonhos e bebedouro para passarinho.
D) Não sei, minha prima ainda não voltou do Paraguai.
E) Porta-retrato eletrônico - cachorro eletrônico - adega climatizada.

4 - Você não sai de casa sem:

A) Agasalho, guarda-chuva e medalhinha da padroeira.
B) Identidade, merenda e R$ 10 para o ladrão.
C) Flauta, camisinha e uma latinha de filme que não tem filme.
D) Seu American Express (mesmo que estourado).
E) Gel no cabelo, óculos vermelhos e alguma coisa da Adidas.

5 - Qual foi a última vez em que você chorou?

A) Dizem que chorei quando nasci.
B) Quando o Brasil perdeu a Copa de 82.
C) Quando minha samambaia ficou mocinha.
D) Quando acertei uma milhar no bicho.
E - Quando lançaram o iPhone.

6 - Como você prefere comemorar seu aniversário:

A) Em um almoço dominical em família, após missa em ação de graças.
B) Na pizzaria, com os colegas do trabalho, incluindo o chefe.
C) Em um sarau de poesia no segundo andar do Maletta.
D) No bar que te der mais descontos ou cervejas grátis.
E) Com uma rave numa estação de metrô, à
meia-noite em ponto.

Pontuação:

Cada resposta "A": 1 ponto
Cada resposta "B": 2 pontos
Cada resposta "C": 3 pontos
Cada resposta "D": 4 pontos
Cada resposta "E": 5 pontos

Resultado:

6 a 10 pontos: fóssil. Você é do tipo que acha que depois da Revolução Francesa e da invenção da válvula esse mundo se perdeu.

11 a 14 pontos: tio. Aquele careta à moda antiga que até compreende a moçada, desde que não venham com pouca vergonha.

15 a 19 pontos: transviado. Você se acha "muderno" só porque não corta ou raspa cabelo de nenhuma parte do corpo? Sai dessa, você é mais obsoleto que o fóssil lá em cima.

20 a 25 pontos: yuppie. Você é oportunista, mercenário e avarento, ou seja, está no caminho certo para se tornar "muderno".

26 a 30 pontos: hype. Você não é ninguém, visto que tem que mudar de identidade toda semana, e só sabe do que gosta quando a Glória Kalil te ensina. Um autêntico "muderno".