sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Você é nervoso?

Nervoso, eu?

Pessoalmente, vejo-me como um sujeito calmo e ponderado, mas alguns amigos acham que eu sou, digamos, meio nervoso. Não é verdade. Ocorre que há situações que me deixam cheio de ódio no coração, o que aconteceria com qualquer mortal num caso desses.

O grande problema é que não há indicadores precisos que nos permitam mensurar, com precisão científica, o nervosismo de alguém. Assim, o Canal Fofão apresenta o seu primeiro teste personalizado (que, esperamos, será a inauguração de uma série).

Abaixo, são colocadas situações do cotidiano, em cada uma das quais você deve indicar o que faria. Escolha apenas uma alternativa em cada pergunta e veja o resultado ao final.

1. Você está em um restaurante com a(o) namorada(o) que, de repente, não mais que de repente, avista um(a) “ex” dela(e). Pede “um minutinho”, senta-se na mesa dele(a) e eles ficam lá, papeando sobre os velhos tempos com um sorriso idiota na cara e pegando um na mão do outro durante dezenas de “minutinhos”.

O que você faz?

A) Nada. Você é moderno e acredita na máxima “ninguém é de ninguém”.
B) Empolga-se e convida o(a) ex dela(e) para fazer um “a trois”.
C) Pega o anão mais próximo pelos tornozelos e o utiliza para dar uma surra de anão nesses dois sem-vergonhas.
D) Despeja cianureto no copo da(o) namorada(o) e sai de fininho para cortar o cabo de freio do carro do(a) ex dela(e).


2. Depois de trabalhar por oito horas e estudar por mais quatro, você está dentro de uma van lotada que vai passar por doze casas antes de chegar na sua. Percebe que o sinal abriu, mas o carro da frente não andou, porque o casal que o ocupa está “dando beijinho”, e permanece assim até que o sinal fecha de novo.

Você põe a cabeça pra fora e grita:

A) “O amor é lindo!”
B) “Tesão! Passa a mão!”
C) “Se eu tiver que descer dessa van vai haver o diabo!”
D) “Ih, amigo, você não sabe onde essa boca já esteve hoje!”


3. Você passa dois meses estudando para tentar conseguir uma vaga em um curso de mestrado, e o resultado é um fiasco tragicômico. Você:

A) Olha para o horizonte, chora baixinho e decide tentar de novo no ano que vem.
B) Olha para o lado, vê uma morena e decide tentar tudo ou nada agora mesmo.
C) Olha para o seu futuro e decide viver de capinar lote vago (com os dentes), ocupação mais adequada a seu perfil intelectual.
D) Olha pela janela da sala, que fica no segundo andar, e decide pular, com o intuito de quebrar o tornozelo e ficar um mês de licença no sofá vendo televisão.


4. É um domingo miserável e faz 46º à sombra. Você toma um banho de duas horas, liga o ventilador no máximo e deita no sofá para ver Barueri x Goiás. Toca o telefone e um amigo seu (bem intencionado, o coitado) diz que vai “dar uma passadinha, para a gente prosear um pouco”.

O que você responde?

A) “Que bom! Vou preparar um chá gelado para quando você chegar.”
B) “Que ótimo! Vou pegar o DVD da Ana Carolina para a gente assistir.”
C) “Que merda! Não dá pra você mandar um e-mail?”
D) “Que prosear o cacete! Se você não tem o que fazer, que tal me ajudar a capinar um lote?”


5. Você vai ao botequim da esquina para tomar uma gelada e comer um peixinho frito na hora, na santa paz do Senhor. No melhor do seu happy hour, um barrigudo sem camisa para o carro na porta do bar tocando o último funk carioca em um volume ensurdecedor.

Para você, a atitude mais adequada neste caso é:

A) Dizendo-se “amante da música”, pedir educadamente que o sujeito abaixe o som, para que todos possamos curtir as “nuances” da obra.
B) Tirar a camisa também e puxar todo mundo para a coreografia.
C) Pegar no canto um pedaço de ripa com um prego na ponta e destruir a máquina de fazer barulho.
D) Pegar no canto um pedaço de ripa com um prego na ponta e destruir o barrigudo sem camisa.


Como aferir o seu resultado
(válido para as cinco questões):

A alternativa A) indica que você não é nervoso. É um frouxo.
A alternativa B) indica que você não é nervoso, mas, provavelmente, é tarado.
A alternativa C) indica que você, nervoso ou não, reage proporcionalmente às situações que a vida lhe apresenta.
A alternativa D) indica que você não é exatamente nervoso, mas... bem, procure um psiquiatra que ele te explica
.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Danou-se

Imagem publicada no cartoonstock

Amigo meu, trabalhador em educação, passa por um momento de reestruturação profissional. Querem ensiná-lo (a ele e a um tantão de gente) a metodologia dos telecursos. Eu pensei que iam treiná-lo em interpretação, maquiagem, dicção, empostação e tal, para ele trabalhar na TV.


Ignorância minha.


O caso é que estão transformando professores da rede pública em ligadores/desligadores do aparelho de DVD. Como se sabe, professores da TV são bem melhores que os de carne e osso, pois não reclamam do salário, não faltam para levar filho ao hospital e não dizem nada que não pudesse ser dito na TV.


Mas o melhor, o que demonstra nosso avanço retilíneo e uniforme em matéria de metodologia de ensino, é o programa do curso. Saquem só:


Módulo 1:
Agindo como idiota

Consiste em construir o conhecimento através de piadas cretinas (como se sabe, piadas boas são consideradas impróprias ao ambiente escolar) e a trazer sempre na face um sorriso de plástico, qualquer que seja a situação. Demonstra o respeito do professor pela inteligência do aluno (ou pela sua própria, conforme o caso).



Módulo 2
Mediocridade para principiantes

Tenha opiniões sempre moderadas, a menos que o assunto seja polêmico: neste caso, não tenha opinião alguma. Ouça Ana Carolina. Veja o Big Brother e torça pelo mais bonzinho. Ponha catchup na pizza. Enfim, para que dissenso e diversidade na escola? Só para encher o saco.



Módulo 3
Praticando a obviedade

O módulo contém alguns bordões que podem ser usados em qualquer ocasião, visto que, de tão utilizados, já não querem dizer mais nada:
"Só não erra quem não faz."

"Deus ajuda a quem cedo madruga."

"O essencial é invisível aos olhos."

"Eu adoro a Ana Carolina."
"Dinheiro não traz felicidade."



Coffee-break (antigo "lanche")
Oriente-se pelo olfato e use os cotovelos para abrir caminho até a mesa. Seja esperto, senão só sobra leite e pão de forma para você. Não se iluda: em breve essas habilidades serão importantes na carreira.



Módulo 4
Puxando tapetes rumo ao topo

Eu não disse?



Módulo 5
Comodismo como estratégia

OK, o salário é ruim, os ventiladores não funcionam, ninguém limpa o banheiro dos professores e aquela loirinha linda que ensina Geografia anda saindo com um playboy motorizado. Mas o verdadeiro educador não se deixa abater pelas dificuldades (e, pelo visto, também não deve fazer nada contra elas)! Importante é curtir o lado bom das coisas: hoje, por exemplo, tem merenda especial (cachorro quente com ki-suco).



Módulo 6
Contra números não há argumentos

Sim, você já trabalha com seus alunos há quatro anos e nós nunca vimos um deles, nem mesmo de longe, e não sabemos com o que se parecem. E daí? Tudo vai dar certo. Acredite, nossa fórmula é infalível e universal, serve para qualquer aluno. Os números não mentem, e nossos números melhoram a cada ano. Entendeu? Não? E daí? Quem se importa? Comporte-se direitinho que, no final do ano, a Fundação sorteia um ingresso pro show da Ana Carolina.



Nota de esclarecimento:

Esta é uma postagem de ficção.

Qualquer semelhança com telecursos vivos ou mortos é viagem das suas ideias.

O blogueiro nunca assistiu um telecurso, pois não pratica a insanidade de acordar naquele horário para ver televisão.

Nenhum professor de verdade foi ferido durante esta postagem.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Corpo Devasso (1980)

Este filme é exemplar em relação à produção da Boca do Lixo, por vários motivos. Primeiro, por representar uma época que originou várias obras hoje antológicas, como "A Mulher que Inventou o Amor", de Jean Garrett, e "Império do Desejo", de Carlos Reichenbach, sem falar nos blockbusters "Giselle" e "Mulher Objeto".

Em segundo lugar, Alfredo Sternhein chamou para trabalhar consigo uma equipe que era uma seleção do que a Boca tinha de melhor. Ody Fraga o ajudou no roteiro, Claudio Portioli fez fotografia e câmera, e a produção é da DaCar, de David Cardoso, que faz o protagonista. O elenco traz mais umas dez figurinhas carimbadas da Rua do Triunfo.


Por fim, "Corpo Devasso" é um dos exemplos mais bem-acabados da tentativa de se unir apelo popular (sob a forma de erotismo) a uma certa militância política e de costumes no cinema brasileiro.


No início, você acha que está vendo um filme típico de David Cardoso: Beto é um atleta sexual simplório, explorado por uma enorme sequencia de mulheres: a filha do patrão (Evelise Olivier), uma fotógrafa tarada (Neide Ribeiro), uma advogada fazendeira (Meiry Vieira), a filha dela (Nádia Destro) etc... Mesmo a jornalista militante (Patrícia Scalvi) que se apaixona por ele acaba por largá-lo na primeira dificuldade.


Em meio a estes desencontros, Beto cai na prostituição. É quando conhece Raul (Arlindo Barreto, que fez o Bozo nos anos seguintes), que se apaixona por ele. É então que a obra se distingue e passa a integrar o panteão dos melhores momentos da Boca do Lixo.


O diretor não teve medo de mostrar o "rei da pornochanchada" em cenas de sexo com outro marmanjo. Mas vários outros filmes fizeram algo semelhante. O que é inovador aqui é que os gays de Sternhein, se não fogem inteiramente dos estereótipos, são, por outro lado, complexos, podem ter facetas diversas. A homossexualidade não os torna, necessariamente, melhores ou piores. Vistos sem preconceitos e sem paternalismo, tornam-se simplesmente humanos. Imagino que seja um caso único, na época.


Beto, por sua vez, não é apenas um rapaz do interior explorado pela luxúria e pelo "desamor" da cidade grande. Ele se mescla a essa megalópole, torna-se confuso e contraditório como ela própria, é capaz de encantar-se e de enojar-se com sua própria sexualidade. Esta, se proporciona
dinheiro a seu bolso e prazer a seu corpo devasso, também domina tiranicamente seus passos, do dia em que foge da roça àquele em que sai da prisão. Para mim, a melhor atuação da carreira de David, justamente em seu papel mais desafiador.

A obra traz ainda uma ansiedade gostosa, típica dos tempos da abertura, quando se começava a poder falar de política sem (muito) medo de represálias. Fala-se de socialismo, democracia, greve, corrupção, tudo de uma forma atropelada, caótica e inconclusiva. Quem gosta de achar defeito dirá que é filosofia de botequim; eu prefiro ter consciência histórica e notar que isso é próprio de quem ficou amordaçado muito tempo.


É quase certo que este discurso poderia se refinar e se organizar com o tempo, principalmente nas mãos de diretores como Sternheim (cujas obras muitas vezes trazem este conteúdo político). Porém, por motivos de força maior, a Boca tomaria o rumo do sexo explícito poucos anos depois, o que acabaria por levá-la a uma irreversível decadência e ao colapso final, por volta de 1987.

Entre as cinzas, "Corpo Devasso" resgata um dos momentos mais críticos, criativos e ousados daquela produção. Uma bela amostra do que o cinema brasileiro de extração popular tinha de vigor, potencial e ousadia.

Serviço: sem serviço. Lançado em VHS há muito tempo, não existe em DVD e não passa no Canal Brasil. Mas é como diz a lagartixa verde: tudo nessa vida tem solução.

sábado, 24 de outubro de 2009

Genuíno e os torrents

Genuíno foi um grande jogador de futebol dos anos 50, quando defendeu o Vasco e (ninguém é perfeito...) o Cruzeiro. Depois de encerrar a carreira profissional, foi ser caminhoneiro e jogar pelo amador Bela Vista, em Sete Lagoas, sua cidade natal.

Na época, já existia essa mania de "frases de parachoque", e Genuíno não poderia deixar por menos. Colocou lá, em letras bem grandes:

"EU QUERO É ROSETAR!"

Foi um escândalo para a tradicional família setelagoana. O problema é que ninguém queria falar com Genuíno, porque ele era muito querido na cidade (e também porque, dizem, era meio esquentado...). Foram falar com o delegado, que chamou o Genuíno e, com muito jeito, explicou que aquilo não podia ser, que pegava mal para ele mesmo, etc. etc. O craque compreendeu o doutor, pediu desculpas e prometeu que, já no dia seguinte, trocaria a frase.

Genuíno era um cara genuíno mesmo, não era homem de duas palavras. Na manhã do outro dia, eram outros os dizeres que toda Sete Lagoas podia ler em seu parachoque:

"CONTINUO QUERENDO!"

Não encontrei registro dessa história, mas ela deve ser verdadeira, pois quem me contou foi meu pai, e o velho nunca mentia. Aliás, ninguém mente em Inhaúma, terra natal dele. Lá, não compensa: a cidade é minúscula, todo mundo vê tudo e sabe o que é verdade e o que não é. Para vocês terem uma ideia, Inhaúma é tão pequena que as pessoas de lá migram para Sete Lagoas (!) em busca de mais oportunidades (!!).

Mas vamos ao que interessa, antes que a cidade natal do meu pai me declare persona non grata.

No momento em que a justiça holandesa manda o pirate bay deletar arquivos de torrent, através dos quais se faz downloads de filmes, músicas, softwares etc., e que o mininova enfrenta um processo semelhante, a história de Genuíno é ilustrativa. Na vida, roseta-se, basicamente, por dois motivos: porque queremos e porque há pessoas dispostas a rosetar conosco. Havendo estas duas condições, é impossível impedir que rosetemos. Mesmo se a pessoa for presa, ela rosetará sozinha. Basta continuar querendo.

Compartilhamento de arquivos é, a seu modo, uma modalidade de rosetagem. Queremos cultura sem ter que pagar por ela, há muita gente disposta a nos fornecer, e os meios abundam. Vamos continuar compartilhando. Eles fecham os sites, a gente troca torrents diretamente. Eles banem os torrents, a gente posta no e-mule. Eles dinamitam o e-mule, a gente inventa outro jeito. É irreversível. A era de pagar por conteúdo acabou.

Não é roubar. Roubar é tirar milhões de cópias e explorar milhares de camelôs para vendê-las. Porém, cobrar R$ 15 por um ingresso de cinema ou R$ 50 por um DVD também é roubar. Ou seja, os piratas têm direito a cem anos de perdão.

Nós humildes compartilhadores, disponibilizamos gratuitamente alguns títulos (no meu caso, todos fora de catálogo) e baixamos outros em troca.

Quanto aos sites, não hospedam nada além de caminhos. Imagine que algum noiado vire para você na rua e peça, desesperado, para você indicar onde ele pode comprar cocaína. Você não tem cocaína, mas sabe onde fica a boca de fumo e informa ao cara. Ele vai lá, compra e cheira. No outro dia, a polícia vem e te prende por tráfico de entorpecentes.

É justo? Pois é isso que estão fazendo com os sites. Com uma diferença: filmes e músicas só fazem bem à saúde. Ao contrário da cocaína, não geram violência, não matam de overdose e não elegem deputados para protegê-los.

Por falar em deputados, e em Sete Lagoas, lembrei-me do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cuja família é setelagoana de origem. O nobre parlamentar é aquele que, ainda insiste em policiar a rede e criminalizar o compartilhamento de conteúdo. Mais uma coisa para se lembrar no ano que vem, na hora de digitar números na maquininha.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Parabéns para mim!

Parece o blogueiro, não?

O "Canal Fofão" completa hoje um ano de existência. Então, parabéns para mim, que o venho mantendo entre ventos e tempestades.


E também para meus doze leitores, que aguentam, além do meu mau-humor crônico, a maior irregularidade da web: às vezes, mais de uma postagem em um dia; outras, sumiços de um mês. Sem falar na inconstância temática (TV, cinema, barulho, política, história, cidade, futebol e vai por aí afora...). Tudo contrariando as mais elementares regras da blogosfera. Azar.


Tenho certeza de que, neste tempo, recebemos uma razoável quantidade de visitas. Não sei quantas, pois não consegui colocar um contador nesta traquitana. Azar. E consegui realizar o objetivo principal: a terapia de poder xingar todas as coisas que eu não posso aguentar calado.


O outro objetivo era ficar famoso e passar a ganhar a vida em casa, contratado como colunista por um desses jornalões aristocráticos para escrever coisas do agrado do patrão e de seus colegas de golfe. Esse ainda não deu para alcançar. Azar.


Então, muito obrigado. Vou continuar tentando regularizar as postagens. Vou continuar tentando fazer sucesso com as mulheres. Vou continuar tentando ganhar dinheiro. Vou continuar fingindo que estou tentando emagrecer. E, provavelmente, não vou conseguir nada disso. Azar.

Como é praxe aproveitar estas efemérides para anunciar novidades, anuncio para breve (não muito breve) o lançamento do prêmio dos piores do ano da TV brasileira. Aproveitem para botar um comentário aí embaixo sugerindo um nome para o prêmio. Quem sugerir o melhor nome vai ganhar um perfil ficcional exclusivo escrito pelo blogueiro. É possível que o ganhador não goste muito do perfil. Azar
.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Só a pedidos


O deputado federal Osório Adriano (DEM-DF) apresentou substitutivo ao projeto de lei que proibia a publicidade direcionada a crianças. Basicamente, acabou com a proposta. Uma pena, porque era uma maneira de tornar mais difícil que empresas filhas da puta inescrupulosas ensinem consumismo aos pequenos desde o berço. Os detalhes estão na
Folha de S. Paulo, reproduzida pelo Portal Aprendiz, do Gilberto Dimenstein.

Não surpreende, já que o deputado é dono de uma revenda da Coca-Cola, revenda esta que contribui gorda e generosamente para suas campanhas (ou seja, ele contribui consigo mesmo, usando o dinheiro que ganha vendendo cáries engarrafadas).

O que não dá para engolir é o cinismo do "cidadão". Vai concorrer a "cocoroca do ano" com o Marquezelli. Saquem só:


"Só as pessoas que não me conhecem para falar que tenho interesse no tema. Minha empresa não vende Coca-Cola nas escolas. A não ser que tenha pedidos".


Uai, e no boteco, ele vende sem que haja pedidos? Encosta o caminhão e despeja o estoque na cabeça do dono?
Seria oportuno informá-lo de que traficantes também não vendem cocaína sem que haja pedidos. Não tocam a campainha na casa de socialites entediadas ou de políticos playboys para oferecer o produto. Tem que fazer um pedido. Nem que seja via motorista.

Só mais uma coisa: o projeto que o ilustre parlamentar destruiu não tem nada a ver com proibir a venda de refris, coxinhas e outras deliciosas porcarias nas escolas. A proposta que proíbe essa sacanagem impropriedade é outra.
E, por sinal, também está sendo avacalhada.

Se, como parece, o deputado veio falar de vender coca (cola) nas escolas sem ser perguntado a respeito, deve ser porque a carapuça serviu. Ou então porque já está tramando a destruição deste projeto também.


Não creio que alguém me leia no Distrito Federal. Mas não custa lembrar aos brasilienses: ano que vem, esse simpático senhor vai pedir o seu voto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Homenagem aos que pensam por nós


Nosso país vive um momento esplendoroso em termos de comentaristas de política e economia. Finalmente estamos livres dessa chatice de pensar, pois agora já temos quem nos ensine que opinião ter e em quem votar. Em homenagem a esta casta brilhante, o Canal Fofão traz um quem é quem do mundo daqueles sortudos que são pagos para dar palpites.

Mirtes Porcão


Mirtes é uma economista especialista em ressalvas (como: "a economia está se recuperando, mas o chato é que a produção de queijos em Caratinga ainda enfrenta sérios obstáculos") e em comparações (do tipo "se o governo quer defender o presidente deposto de Honduras, também deveria participar do baile de debutantes do Clube Alvorada, em Caratinga"). Ela acredita que é uma desconsideração da parte do governo (qualquer governo) fazer coisas que ela não recomenda e que dão certo assim mesmo. Mirtes afirma que o pré-sal irá render muitos recursos, mas que o governo, mais uma vez, irá gastá-los em besteiras, como hospitais, escolas e privadas.

Lucy Hipótese


Lucy é o tipo da comentarista de política que veio ao mundo com a missão
de anunciar o apocalipse iminente. Já foi historiadora, mas se desencantou com um passado que só teve dois bombardeios nucleares e uma meia dúzia de genocídios. Melhor é o futuro: mais um escândalo no Congresso resultará em seu fechamento, e em 143 anos de uma ditadura sindicalista comandada por VSQ (vocês sabem quem...). Enquanto isso, a política externa do governo poderá resultar numa guerra de extermínio contra Trinidad y Tobago, Sri Lanka e Leblon. Lucy já tem impresso seu novo livro, "Eu bem que avisei!!!". Só está esperando que alguma hecatombe finalmente aconteça, para que possa lançá-lo.

Boris Carloff


Ex-militante da TFP (joga no Google), da Ação Integralista (idem) e do CCC (pois é...), Boris hoje se abriga na Sociedade de Preservação do Bolinho de Chuva Original. Usa cuecas três números abaixo do seu, para ficar com a cara sempre bem brava. Em sua opinião, ministros de Estado devem fazer voto de castidade. Indigna-se com a corrupção, com a criminalidade, com o terrorismo, com a mini-saia, com o chiclete, com entrevistados desobedientes, com o fato de a Globo nunca ter se interessado por ele, com a Ana Carolina (tá, com esta eu também me indigno), com a arte moderna e com toda esta pouca vergonha que anda por aí.

Merdal Peneira


Dono de raciocínio brilhante, tornou-se expert em deduções lógicas. Se vê um menino entrando em uma sorveteria, deduz que ele vai assaltá-la. Se o menino apenas compra sorvete e vai embora, Merdal acha uma safadeza: ele não deveria ter criado na sociedade a expectativa do assalto. Merdal é assim mesmo: acha que "a sociedade" tem na cabeça o mesmo que ele tem no nome e na cabeça. Ficou famoso ao prever que Obama ganharia, que Rubinho perderia e que Luana Piovani não é mais virgem. Pretende, em breve, lançar um serviço telefônico de "hora errada": você liga para saber que horas não são.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Blogueiro publicitário

Quer dizer que o prefeito Lacerda está brigando com a turma dos outdoors? Eu ando com tanto serviço que nem notei uma notícia tão relevante e capaz de mudar o meu futuro.

O Canal Fofão é sempre a favor do cumprimento da lei. Mas o problema, em nossa forma de ver, não são os outdoors em si, e sim os anúncios sem atrativos que põem neles.

Mais criatividade, gente! Outdoor, todo mundo faz. Se querem conquistar o mercado, têm que dizer o que o cliente quer ouvir. Resolvi, gratuitamente (de novo), apresentar algumas sugestões nesse sentido.












terça-feira, 8 de setembro de 2009

Helena Ramos: tempo de relembrar

Helena em "Mulher Objeto", seu filme definitivo

Ao lado de Matilde Mastrangi, Helena Ramos é considerada a principal musa da pornochanchada. O Canal Brasil, que comemora neste mês 11 anos, inicia hoje uma retrospectiva de sua carreira, com filmes nas madrugadas de quarta, quinta e sexta, sempre às 0h30min.


Em papéis que iam da dona de casa frígida à prostituta de luxo, passando pela secretária alcoólatra e pela enfermeira mulher fatal (sem falar numa outra prostituta, carola - isso mesmo - em "Palácio dos Anjos"), Helena mostrou talento inegável ao longo de dez anos de cinema (1974 a 1984, aproximadamente). Se você vir os filmes hoje e achar sua interpretação afetada e artificial, lembre-se: não havia, no cinema brasileiro de então, esta interpretação naturalista que predomina hoje. Os atores eram instados a se comportar quase como no teatro, com falas empostadas e formais até para dizer palavrões.


De mais a mais, você vê Helena e ouve outra pessoa: os diretores achavam (com certa razão) que sua voz não correspondia àquele corpão todo, e ela quase sempre era dublada. Mas em termos de expressão facial e corporal, bem como de relação com a luz e com a câmera, ela chegava perto da perfeição.


De qualquer forma, o melhor da retrospectiva é que ela fornece um bom panorama da produção da Boca do Lixo, com obras de alguns de seus cineastas mais representativos.
Jean Garrett comparece com três filmes: os estupendos "Possuídas pelo Pecado" (1976) e "Noite em Chamas" (1977) e o irregular "Mulher, Mulher" (1979), que inaugurou a mania de cenas eqüinas no cinema nacional (como assim, eqüinas? Sei lá, assista ao filme). Já de Ody Fraga temos o esforçado "Palácio de Vênus" (1980). E Walter Hugo Khouri, o nosso Bergman, contribui com o belo "Convite ao Prazer" (1980)

Mas foi em "Mulher Objeto" (1981), de Silvio de Abreu (é, o mesmo que escreve novelas para a Globo), que Helena virou uma marca constante e inconfessável no subsconsciente do país ou, pelo menos, da metade masculina dele. Cheio de um erotismo tenso, febril e, por vezes, cruel, o filme estourou bilheterias, foi vendido para inúmeros países e virou um mito e um tabu ao mesmo tempo. Tanto é que ficou anos banido do próprio Canal Brasil, voltando agora para integrar este festival.


Em 1990, foi reprisado nos cinemas, e eu o vi no velho Cine Royal, hoje uma templo da universal. Naqueles tempos, esse país já estava começando a encaretar, e a plateia simplesmente não acreditava no que via na tela. Recomenda-se não perder.

Os outros filmes são obras menores, mas valem pela curiosidade. Como é? Você não tem Canal Brasil? Pois é, eu também não. Mas a Net vai liberar o sinal para quem tem pacotes furreca como os nossos de 18 a 28 desse mês. Vamos aproveitar.

Só o que eu não entendo é porque nenhum canal aberto se interessa por este tipo de conteúdo. Alguém aí duvida da quantidade de marmanjo virando a madrugada?

Como a programação da retrospectiva está difícil de acessar no site do Canal, o papai Fofão colocou aí embaixo para vocês.



09/09 às 00h30 Convite ao Prazer
10/09 às 00h30 As Mulheres Sempre Querem Mais...
11/09 às 00h32 Lucíola - O Anjo Pecador
15/09 às 00h30 Possuídas pelo Pecado
16/09 às 00h30 Iracema - A Virgem dos Lábios de Mel
17/09 às 00h30 Crazy - Um Dia Muito Louco
18/09 às 00h30 O Clube das Infiéis
22/09 às 00h30 Mulher, Mulher
23/09 às 00h30 Palácio de Venus
24/09 às 00h30 As Intimidades de Analu e Fernanda
25/09 às 00h30 Mulher Objeto
29/09 às 00h30 Bem Dotado - O Homem de Itu
30/09 às 00h30 Volúpia de Mulher
01/10 às 00h30 Noite em Chamas

02/10 às 00h30
Corpo e Alma de Mulher


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sobre o trabalho e o ócio

O deputado acha que 40 horas disso é pouco

Está em discussão no Congresso a PEC 231/95, que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem reduzir o salário, e o aumento 50% para 75% na remuneração adicional da hora-extra.

Trabalhadores (nós) se movimentam a favor, e patrões (eles, o lado de lá, o Moon-Ra) contra, estes apoiados pela grande imprensa acostumada a lamber-lhes as botas. Nós dizemos que a medida vai aumentar a empregabilidade, enquanto eles afirmam que não, que só vai aumentar os custos da mão-de-obra. Pois é. Estão no papel (escroto) deles.

O que não é aceitável são argumentos como o do digníssimo deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), contrário à emenda, que transcrevo da Agência Brasil:

“Eles [trabalhadores] dizem que vão para o lazer, mas eu digo que vão para o boteco, para o jogo. O mal está em ele gastar o tempo com o que quiser. A ociosidade não remunera, é ruim”

A respeito disto, algumas considerações:

1 - O mal está em gastar o voto com deputados assim. Marquezelli entra com tudo na disputa pelo título de cocoroca do ano.

2 - Quem te ensinou que o trabalho enobrece e dignifica o homem (e a mulher), mentiu. Pode ter sido de boa fé, mas mentiu. O trabalho empobrece, emburrece, enlouquece e sacrifica o homem. A gente trabalha porque não tem outro jeito.

3 - Ter um emprego moralmente gratificante e socialmente útil (como o meu) é um atenuante da opressão do trabalho, e não muda a essência da coisa.

4 - Ter um emprego quando não se necessita do salário (ah, eu lá...) não é trabalho, é hobby, coisa muito diferente.

5 - Nas últimas décadas, as novas tecnologias multiplicaram muitas vezes a produtividade do trabalho, sem que a jornada diminuísse ou o salário aumentasse. Ou seja, só os patrões se beneficiaram. É hora de sobrar umas migalhas para a gente.

6 - Depois do expediente, o tempo é MEU. Se eu quiser ir à igreja, ao bar, à faculdade ou visitar algumas amigas aqui na mesma rua onde trabalho, é problema (ou solução?) meu. A ociosidade não é para remunerar, é para fazer a sobrevivência se parecer com a vida, por uns parcos momentos.

7 - Seria interessante que o deputado tornasse público quantas horas ele trabalha por semana, e o que exatamente produz durante esse período. O que faz com seu tempo livre não me interessa.

8 - Sugiro que todo mundo mande cartas, e-mails ou sinais de fumaça ao deputado e ao senador em quem votou, pressionando-o a votar a favor (ou contra, se você for contra) da emenda. Se seu candidato perdeu ou se você não se lembra em quem votou, não importa, finja que votou em alguém que está lá e pressione assim mesmo. Reclamar do Congresso sentado no sofá é muito fácil.