Ando há dias querendo falar sobre a "Obamania" e não vejo por onde começar. Recorro a Elio Gaspari, em sua coluna de ontem na Folha:
BARACK LÁ, BUSH CÁ
Tem muita gente boa aplaudindo Barack Obama porque ele proibiu a prática de torturas contra presos. O suplício mais conhecido era a simulação de afogamento.
Um pedaço dessa mesma plateia emocionou-se com a valentia do Capitão Nascimento no filme "Tropa de Elite" e com o poder de persuasão de seus sacos de plástico.
É um novo tipo de esquizofrenia política. O sujeito é Obama nos Estados Unidos e George Bush no Brasil.
Só complementando: essa esquizofrenia é refletida e, ao mesmo tempo, gerada pela mídia, principalmente a TV. Já que só se liga o aparelho para ver espetáculos, tudo tem que virar espetáculo, inclusive a troca da guarda no Império. É como disse o José Simão: Deus mandou o Obama pra poder folgar no Carnaval.
Lembro-me de uma matéria, acho que do "Jornal Nacional", com umas patricinhas paulistanas que viajaram a Washington para ver a posse do homem, como se fosse um show. Epa! Na verdade, era um show, aliás, vários: Bruce Springsteen, U2, Aretha Franklin... Enfim, tudo é festa! Chegou o dia da paz universal, vamos comemorar!
Porém, a epifania cessa subitamente se o cidadão constatar que um ladrão deu uma tijolada no vidro de seu carro e levou embora seu
Se a esperança pode virar espetáculo, por que não o ódio? Preocupada em dizer sempre o que o público quer (e não o que precisa) ouvir, a mídia resolve tomar as dores do injuriado cidadão: Sônia Abrão chora, Datena fica apoplético, Bonner faz um biquinho de reprovação e o cara se sente representado e compreendido.
Na manhã seguinte, ele compra

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