A idéia original tinha tudo para dar um bom terror ou sci-fi: em 1959, alunos de escola americana imaginam o futuro através de desenhos e os enterram dentro de uma cápsula, desenterrada 50 anos depois. Só que um dos trabalhos não era um desenho, e sim uma enorme sequência numérica, que não por acaso cai em mãos do filho de um astrofísico do MIT (Nicholas Cage). Este, por sua vez, descobre que a sequência previa várias tragédias, como o 11 de setembro. Cabe a ele agora evitar as que ainda não ocorreram.
Interessante, como se vê. Mas o diretor Alex Proyas ("Eu, Robô") não se decide entre a ficção científica, o terror, a ação, a aventura... Mistura de gêneros é uma boa, filme sem gênero não. Além disso, a indecisão quanto à explicação dos fenômenos parece ser uma infantil tentativa de não melindrar o lobby criacionista norte-americano, sem tampouco criar caso com a comunidade científica.
Para piorar, o protagonista não pode ser um simples cientista. Tiveram que lhe arrumar uma viuvez trágica, seguida da incapacidade para novos relacionamentos, uma relação difícil com o filho e uma ruptura com o pai. Depois, ainda tentam lhe dar um par romântico. Nâo há terapia que dê jeito. Hollywood parece não conseguir se libertar desta escravidão ao drama pessoal. Tudo tem que ser feito por amor, ódio ou gratidão, tudo deve ser guiado pela emoção. Lamentável.
A tentativa de agradar a todos parece ter dado certo, a julgar pela bilheteria. Em termos qualitativos, porém, revelou-se uma aula de como desperdiçar uma boa ideia.
Um comentário:
Phoda, né, Mauro. Esse filme do Nicolas Cage (que, aliás, eu até estava a fim de ver pelo enredo, que me chamou a atenção) parece ter o mesmo problema dessa refilmagem recente do "O Dia em que a Terra parou". Idéia e roteiro originais interessantes, porém, como sutileza não é o forte de Hollywood, acabou ficando um chororô maleta...
Já viu?
Bjos!
Postar um comentário