segunda-feira, 25 de maio de 2009

A dura realidade

Hank Hill e sua família

Aos domingos, logo antes de dormir, eu assisto a "O Rei do Pedaço" ("King of the Hill"), que fecha a sessão "Não Perturbe", do FX (54 na Net/Cat).

Passa logo depois do anárquico nonsense de "Uma Família da Pesada" ("Family Guy") e da ferocidade auto-irônica de "American Dad". E não guarda nenhuma relação com esses dois, a não ser por também se tratar de um desenho para adultos. E bota adulto nisso.

Hank Hill, o personagem central, é um texano gente boa que não consegue entender por que seus parentes, amigos e colegas de trabalho optam sempre pelo caminho mais fácil para (não) resolver seus problemas, e acabam estragando o que seriam boas idéias, como grupos de apoio para deficientes, preservação ambiental ou mesmo a internet.

Hill é provinciano e moralista, mas de uma forma que faz com que nos compadeçamos dele, pelo seu semblante de perplexidade e fragilidade perante um mundo simples que as pessoas insistem em complicar. Suas decepções são universais, não texanas. Poderiam acontecer em qualquer lugar. Dizem respeito à condição humana naquilo que ela tem de mais singelo e aterrador: suas limitações.

A propósito, não é comédia. Não tem a menor graça. E não deve ser por acaso que o colocaram no fim da noite de domingo. Serve como um balde de água gelada depois de um fim-de-semana de excessos, um lembrete algo sinistro de que amanhã é segunda-feira, e de que sempre será assim.

Ah, ia me esquecendo: é genial.

Serviço: passa no FX aos domingos, às 22:30. Se você tem tendências depressivas, pense duas vezes antes de assistir.

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