Em resumo, um cocoroca seria uma pessoa metida a regulamentar a vida particular alheia, ou a recusar o girar do planeta, aferrada a tradições pelo único fato de serem tradições. O tipo de gente que tenta obrigar o uso de roupas íntimas. Na década de 70 foram chamados de "caga-regras", e depois acho que só de "babacas" mesmo.
Ocorre que cocorocas continuam proliferando aqui e lá fora, em pleno supostamente novo século. Stanislaw ficaria horrorizado, pois os de hoje não desfrutam sequer do contexto histórico que os de seu tempo possuíam. Vejamos alguns.
Arnaldo Esteves Lima: o ministro do STJ entende que pagar por sexo com menores de idade não é crime, porque, palavras dele, "as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade". Bem, a lei brasileira considera estupro presumido qualquer relação sexual, paga ou não, com menores de 14 anos. Porém, no entender de Sua Excia., se você gosta de menininhas, apenas certifique-se de que elas já sofrem abusos continuadamente há algum tempo e lave a égua.
O magistrado conseguiu piorar uma lei que, de tão caduca, foi revogada: aquela que distinguia entre mulher honesta e as outras. Agora, ele criou também a "menina honesta" e a "menina desonesta".

Luiz Carlos Hauly: o ilustre deputado (PSDB-PR) fez "discurso inflamado" contra a lei que simplifica o divórcio, dispensando o período de separação. Segundo ele, temos que pensar nos filhos e também "na integridade da família, a maior criação de Deus". Realmente: nada melhor para as crianças do que crescer dentro de uma "criação de Deus" na qual seus pais se desprezam, se insultam e, muitas vezes, se agridem.
D. José Cardoso Sobrinho: este é aquele arcebispo que excomungou a família da menina que fez um aborto (por ter sido estuprada) e a equipe médica junto, com apoio do Vaticano. Precisa dizer mais? Aliás, suponho que ele deve ter concordado com o ministro Esteves Lima lá em cima.

Nicolas Sarkozy: o presidente francês estuda proibir o uso da burqa (aquela vestimenta muçulmana que cobre a mulher toda, até os olhos), que, segundo ele, é "um símbolo da servidão e da submissão". Tem toda a razão: valorizar a liberdade da mulher é impedi-la de usar a roupa que bem entender.
Pedro Cardoso: vocês não acharam que eu ia esquecer, né? Ele anda meio parado com aquela mania de querer proibir sexo, nudez e "beijos intermináveis" na TV e no cinema. Mas eu não vou dar descanso, porque o preço da liberdade é a eterna vigilância (rararara, piadinha interna de historiadores). Enfim, acho que este é o que Stanislaw mais gostaria de retratar.
3 comentários:
Fofão,
Não podemos nos esquecer do Severino Cavalcanti, aquele que estava em NY mas infelizmente não foi atingido pelos ataques do 11/09/2001. Ele se diz contra o aborto e o divórcio por conflitarem com a doutrina católica, do qual faz parte... Fervorosamente! Também não nos esqueçamos do nobre deputado que se colocou contra as experiências com células-tronco, por levarem a raça humana ao perigoso limite de brincar de Deus, alterando geneticamente os animais e as pessoas, criando aberrações da natureza!!!! Credo, que medo! Bonito mesmo é ver milhares e milhares de deficientes ou quase mortos esperando anos por doações de rim, fígado, coração, pâncreas, córneas que nunca virão, ou acontecerão em números insuficientes... Isto sim é a natureza... Perfeita! Amém!
É, Zebrão. Poderíamos até citar o Chico Bento XVI, que quer transformar o mundo numa roça, como homenagem a todos esses. Mesmo assim ainda faltaria muita gente...
Boa demais a lista... infelizmente os personagens são execráveis. Cocorocas estão por aí aos montes, é só dar um microfone ou blog pra elas se expressarem. :( Bjos!
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