Caricatura: Felipe AlvesNa prática, não há ninguém que não assista o Big Brother. Você pode até fazer como eu e não se sentar na frente da TV para ver aquilo. Você pode até jogar sua TV pela janela (não faça isso, a coitadinha não tem culpa), mas não pense que terá escapado.
Não adianta trocar o canal, pois os outros canais só falam na "casa" (Sônia Abrão é o exemplo mais óbvio, mas não o único). Não adianta parar de ver TV, pois o programa dispensa a TV: se você não é um ermitão (opção a ser considerada), tem que conviver com pessoas, e elas vão lhe falar sobre a cousa, e você a verá por procuração.
A gente assiste o BBB no escritório, no carrinho de cachorro quente, na van que nos traz do trabalho, nos clubes e botecos durante o fim de semana. Nas escolas, nas ruas, campos, construções, mesmo quando não há nenhuma TV nesses lugares, a gente vê o BBB, pois só se fala nisso.
Por quê? Se eu soubesse, venderia muito caro a informação. Mas desconfio que a resposta passe pelo fato de o programa ter convencido o público de que aquilo são pessoas "comuns" levando uma vida "comum", com uma diferença: não podem escolher o que é público e o que é privado. E os seres humanos adoram discutir a vida privada uns dos outros. Chama-se a isso "fofoca", e embora todos façam, não pega bem. É como fazer cocô.
O BBB é a perfeita oportunidade para se comentar a intimidade alheia sem que isso pegue mal. É como se fizéssemos cocô em público e ninguém desse a mínima. A justificativa é uma só: a pessoa vendeu sua privacidade, que foi comprada com o nosso dinheiro de consumidores dos produtos anunciados. Portanto, ainda que indiretamente, nós compramos a intimidade dos participantes, e podemos fazer o que quiser com ela (inclusive cocô), sem constrangimentos.
Porém, mesmo que se queira seguir esse raciocínio cínico, teríamos, no mínimo, um deserespeito aos direitos do consumidor. Afinal, aquilo não é de verdade. Os competidores montam personagens que, acham eles, são capazes de conquistar votos. Vence o melhor sucedido nessa empreitada (ou o mais beneficiado pela edição, que converte 24 horas de "vida" em 15 minutos). Você está vendo a vida "privada" de uma personagem, não de uma pessoa.
De qualquer forma, o que não consigo entender é porque a quase totalidade das pessoas tem tanto prazer em fazer cocô em público.
O blogueiro vai tentar não falar (mais) de Big Brother, simplesmente porque não adianta. Só voltará ao assunto caso seja necessário descarregar a raiva.
Nota (em 05/01): tamanho é o medo que o blogueiro tem desse programa que ele publicou a postagem achando que a tortura começaria hoje. Acaba de saber que será poupado ainda por uma semana. Que bom.
Nenhum comentário:
Postar um comentário