Sinceramente, ando meio na dúvida: a cobertura que os telejornais brasileiros (e, creio, do mundo inteiro) vêm fazendo sobre a mais nova agressão de Israel contra o povo palestino é fruto de má fé, cinismo, ou mera ignorância?
Os fatos, em si, fogem ao objeto deste blog. De resto, tudo que penso sobre eles já está em um texto brilhante de Robert Fisk, bem como na charge de Quinho aí em cima. O que me assusta é que a população esteja sendo submetida a tamanha campanha de desinformação. Em resumo:
- um massacre não pode ser chamado de "conflito";
- um punhado de guerrilheiros mal armados não é a mesma coisa que o melhor exército do planeta;
- não se trata de "incursão", e sim de invasão;
- a sonegação de informações por parte do governo de Israel não é um "fato curioso", e sim política de Estado;
- o problema maior de Gaza não é a "falta de mantimentos". Falta mantimento ali desde 1948 e nós nunca demos a mínima. O problema é que um "vizinho" maior e muito mais forte resolveu matar todo mundo que mora no local;
- o Hamas só pode ser chamado de "fundamentalista" se o mesmo nome for utilizado para a extrema direita israelense (que advoga seu direito ao "Grande Israel" da Bíblia);
- por fim, se meia dúzia de foguetes/provocações podem ser considerados razões para matar crianças, os quarenta e um anos de desrespeito israelense às decisões da ONU seriam razões para quê?
Elegante, mas incisivo, deu um ótimo (e rápido) panorama das raízes históricas da violência na região e dos impasses para a resolução da "crise". Evitou a atitude cínica de contemporizar e ficar em cima do muro. Utilizou enunciados simples e curtos, que até Maria Beltrão conseguiu entender. A certa altura, meteu tranqüilamente o dedo na ferida: "sangue árabe vale votos em Israel". Diplomata de carreira, agiu como jornalista, num país em que tantos jornalistas agem como diplomatas, no pior sentido da palavra.
A lição é básica: fazer jornalismo é informar, não agradar. Se você não sabe nada sobre um assunto, chame quem sabe e poupe-se de falar besteira. Infelizmente, não creio que tenha sido aprendida.
Não, não há reprise programada, pelo que informa o site da emissora. Seria querer demais.

Um comentário:
"Diplomata de carreira, agiu como jornalista, num país em que tantos jornalistas agem como diplomatas, no pior sentido da palavra."
Muito bom isso! E infelizmente acontece muito mesmo.
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