domingo, 8 de março de 2009
E o cordão dos puxa-sacos...
Em meio à euforia do primeiro gol de Ronaldo pelo Corinthians, dois fatos mostraram o triste estado em que se encontra a cobertura esportiva no Brasil (com a nobre exceção da ESPN Brasil e mais um ou dois quixotes).
Na comemoração, Ronaldo saiu do campo e subiu no alambrado (na verdade, derrubou-o), o que é proibido pela FIFA. O árbitro Cléber Abade esperou que os cumprimentos terminassem e lhe advertiu com o cartão amarelo, conforme a regra.
Ensandecido, o comentarista de arbitragem da Globo, Arnaldo César Coelho pôs-se a criticar o juiz, acusando-o de "insensibilidade", e dizendo que, se fosse na Itália, com o gol, o jogo teria acabado (?!?!?!). Cléber Machado endossou suas palavras, dizendo tratar-se de "evento mundial", ou coisa que o valha.
É Arnaldo quem gosta de dizer que "a regra é clara". Se é clara, vamos aplicá-la. Comentários como o dele reforçam nossas velhas concepções de que uns podem mais que os outros, de que as leis valem menos para os ricos e famosos. Só faltou botar o dedo na cara de Abade e dizer: "Sabe para quem você está dando o cartão"?
Ronaldo, até o momento em que escrevo, não reclamou do cartão. Ponto para ele. Mas protagonizou um acontecimento ainda mais triste e constrangedor ao sair do campo.
Cercado por repórteres, esperou que os seguranças afastassem (na porrada, segundo repórter da rádio Eldorado/ESPN) aqueles que não eram do sistema Globo/Sportv, para só então falar. Quanto aos outros, disse que só falaria depois, nos vestiários. Só faltou dizer: "Aos bajuladores tudo, aos independentes, a lei".
Qualquer atleta pode escolher para quem dá entrevista. Mas as coisas têm que ficar claras. Se ele recebe um por fora da Globo, beleza. Se só gosta de falar com aqueles que o cobrem de elogios e aplaudem tudo que ele faz (mesmo quando faz besteira), direito dele. O que não pode é fazer isso e se fingir de inocente, escondendo-se atrás de supostos "assessores".
Ronaldo é muito inteligente e acumula bastante experiência no show business esportivo. Está na hora de assumir a gerência de suas relações com a mídia e a responsabilidade pelas decisões tomadas. De ter mais assessores de verdade e menos puxa-sacos. De preservar sua imagem pessoal para não dever satisfações ao "Fantástico".
Ele e Arnaldo transformaram um belo momento do esporte numa triste nota sobre os negócios midiáticos que envolvem nosso futebol. Mais sobre isso em breve.
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4 comentários:
Não entendi pra quê tanta chacrinha em torno do Ronaldo...a função dele não é fazer gol???
Então pronto!!! Ele não fez nada além da obrigação...rssss
Leandro falou que ainda saímos no lucro, porque se fosse o Galvão narrando, ele teria "batido as bota" de tanta emoção...akakakaka
É cada vez mais difícil assistir a uma jogo de futebol com uma transmissão minimamente imparcial, séria, ou seja profissional de verdade. Os locutores, comentaristas e repórteres "torcem" abertamente pelas ditas grandes equipes, porque precisam desesperadamente da audiência dos torcedores. E para isso não se sentem nem um pouco acanhados em dizer bobagens homéricas, falsas declarações de amor a clubes e/ou atletas que chega a revirar o estômago. É dificil... Como essa bobagem de contratar um ex-jogador em atividade não vai dar em nada mesmo, só alguns gols em times de nível abaixo do sofrível, daqui à pouco eles quebram a cara e calam a boca. Alguns poderiam ficar calados para sempre, como o Galvão Bueno e o Luciano do Valle, mas aí já é pedir demais...
E não adianta nem tirar o som da TV e ligar o rádio, pois são tão babacas quanto. Às vezes, assisto sem som. Agora, com esse negócio de Galvão bater as botas ou se calar para sempre o "Meu Fi" vai ficar puto com vocês...
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