Ignorada pela mídia brasileira, seleção conquista o bi da Copa Panamericana, sábado à noite, em Miami
Como se pode ver pela foto, refiro-me aqui à Seleção Brasileira Feminina de vôlei (que me perdoe a masculina, mas homem praticando um esporte que não machuca é algo que não consigo entender).
Sim, claro, as moças são muito bonitas, mas se fosse esta a questão o post deveria se chamar "Eu adoro a Juliana Paes". O que eu adoro na seleção é que ela é uma coletividade que funciona muito bem sem precisar abrir mão da diversidade.
Já começa na aparência das meninas: negras, mulatas, brancas, morenas cor de jambo, uma "alemã" (Mari) e uma "japonesa" (Ana Tiemi). É como se fosse uma amostragem do povo brasileiro. Em quadra, todas juntas, proporcionam um espetáculo visual único no voleibol mundial.
Vale citar também as diferenças de temperamento. Enquanto algumas atletas são líderes natas, outras são frias e concentradas, e várias adotam uma postura beneficamente moleque (é só ver a zona que aprontam após os jogos no exterior, pulando em frente às câmeras e mandando beijos para os pais). E isso não causa problemas de coesão ou entrosamento. Pelo contrário, parece proporcionar um saudável equilíbrio no grupo.
Equilíbrio este que também deve ser creditado a José Roberto Guimarães, um treinador que, após uma amarga derrota em Atenas/2004, aprendeu a ouvir e a compreender suas comandadas, ganhando delas uma confiança fundamental.
Lembrando que estamos falando de jovens na casa dos vinte anos, que passam vários meses longe de casa (muitas vezes sacrificando namoros, e até casamentos), viajando por dezenas de cidades das quais só conhecem o aeroporto, o hotel e o ginásio.
E daí?, perguntarão vocês.
E daí que eu adoro a seleção por uma razão vinculada ao reino do simbólico: ao ver esse time entrar em quadra de verde e amarelo, com a palavra "Brasil" estampada no uniforme, eu consigo sonhar.
Sonhar com um país que desse oportunidades iguais a todos (e todas), independente da origem social ou da aparência física.
Um país que soubesse conviver com as diferenças de opinião e de comportamento, resolvendo-as civilizadamente no espaço público, e que percebesse que a diversidade é fator de fortalecimento para qualquer comunidade.
Um país com dirigentes que se esforçassem um pouco mais para ganhar a confiança de seu povo. E um povo que se dispusesse a precisar um pouco menos de governantes. Um país que soubesse tirar de suas derrotas, de seus impasses, a orientação para mudar, em vez de se condenar a repetir eternamente o passado.
E, se sonho assim, é porque a seleção de vôlei (principalmente depois do ouro em Pequim/2008) me mostra que este país é possível. Ele custa muitas renúncias, muita coragem, algumas tristezas e uma quantidade absurda de trabalho. Mas é possível.
E este incentivo à capacidade de sonhar é motivo mais que suficiente para repetir: eu adoro a seleção!
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