quinta-feira, 2 de julho de 2009

Eu odeio a seleção.

O treinador foi escolhido a dedo pelo presidente da CBF.

Não os jogadores, obviamente. Atletas, como qualquer profissional, tendem a aproveitar as oportunidades que aparecem (como a de servir à seleção) para valorizar seu currículo. Nada mais normal. O mesmo vale para o treinador: se, por um lado, é evidente que Dunga foi escolhido por aceitar a "mão de ferro" de Ricardo Teixeira, por outro, qual de nós recusaria o emprego?


Não, as pessoas que trabalham na seleção não são dignas de ódio. O que eu odeio é o ambiente cultural chauvinista que se criou. Essa união forçada em torno de um pensamento que se quer único. Esse festejar de qualquer resultado supostamente "positivo" do time de amarelo, como a reafirmar a máxima (que alguns perversos atribuem a Maquiavel) "os fins justificam os meios".


A seleção virou um grande negócio, através da associação entre CBF, organizações Globo e patrocinadores, como Nike, AmBev e Itaú. É fato: toda seleção funciona assim. Porém, no caso da brasileira, em nome dos bons negócios fechou-se as portas à crítica, à opinião diferente e, em certos casos, até à ética. E isso é odioso.


Poder-se-ia citar um caminhão de exemplos, mas fiquemos com apenas dois. O primeiro seria a descida de Ricardo Teixeira (que não é e nunca foi meu parente, graças a Deus) aos vestiários para forçar a escalação de Ronaldo na final da Copa de 1998; o segundo, a viagem de vários juízes, alguns envolvidos em causas do interesse da CBF, para assistir a uma Copa (se não me engano, a mesma, de 1998), por conta da entidade.

Não vamos falar das suspeitíssimas arbitragens nos jogos do Brasil contra Turquia (o primeiro) e Bélgica em 2002, pois falhas de arbitragem podem ser apenas isso: falhas. Nem da imensa sorte que o time da CBF teve nos sorteios dos grupos das duas últimas copas, pois, afinal, a coisa se chama "sorteio". Mas fica o registro.

Odeio o comportamento sabujo de uns 80% da mídia brasileira perante o fato. A postura cínica dos locutores e comentaristas da Globo/Sportv durante a Copa das Confederações. As manchetes da segunda-feira, exaltando a conquista de uma competição à qual nenhuma seleção importante (exceto a da CBF) dá qualquer valor além do monetário.


Mas odeio, acima de tudo, a aceitação ovina, por parte da maior parte do público, desse tipo de esquema. Os foguetes que ouvi toda a tarde no último domingo. Esse ridículo patriotismo quadrienal, coisa de quem berra "Brasil!!!!" durante um mês e depois volta a cuspir no chão e dizer que "esse país é uma merda, mesmo", como se não fizesse parte do país.


Se é verdade que nosso país (como qualquer outro) é cheio de defeitos, também é verdade que um dos mais tristes é essa mania de confundir crítica com difamação, dissenso com inimizade, não adesão com declaração de guerra.

Recuso-me a chamar o time da CBF de "Brasil". E espumo de raiva quando, ao dizer que torço contra ele, ouço a reprimenda absurda e perplexa: "mas então você não é brasileiro?!?!", como se minha nacionalidade devesse ser provada através da torcida por um time de futebol.


Dá vontade de fazer como o Zebrão e dizer: "brasileiro eu sou, só não sou otário". Mas as pessoas se sentem ofendidas, então é melhor deixar pra lá.


Desculpem a rabugice, é que essas coisas me deixam meio Hulk da vida. A intenção inicial era escrever um post mais alegre, que desse a noção do quanto é divertido desafinar o coro dos contentes, principalmente quando a Copa vai se aproximando. Acreditem, rende boas gargalhadas, independentemente do resultado dos jogos. Uma hora dessas eu escrevo esse.


Eu adoro futebol. Eu adoro o Brasil. E não vejo nenhum motivo pelo qual uma coisa deva se misturar com a outra.

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