domingo, 8 de agosto de 2010
O voto do blogueiro
Haverá uma eleição geral dentro de menos de sessenta dias. Parece que nada está acontecendo...
Este blog pretende falar sobre as eleições, sobretudo em seu aspecto televisivo. E isso aqui não é a Folha de S. Paulo, que faz política partidária e se diz "a serviço do Brasil". Este blogueiro dá a cara para bater (mas vejam aí se dá para pegar leve na porrada...).
O Canal Fofão apoia Dilma Roussef para a Presidência.
Entendo que o governo Lula foi uma experiência rica e contraditória, como contraditórios somos nós, que o elegemos. Deixou muito a desejar, porque este é um povo que deixa muito a desejar. E teve momentos da mais alta grandeza, porque este é um povo da mais alta grandeza. Nós somos assim: às vezes anões, outras vezes gigantes.
O governo Lula foi o melhor governo possível para o país que somos hoje. Sua principal virtude foi saber enxergar o gigante que cada brasileiro é, e estimulá-lo a sobrepujar o anão. Por isso crescemos no meio de uma crise. Por isso milhões de pessoas integraram-se ao mercado interno.Por isso o Brasil, hoje, é um protagonista na política e na economia mundiais.
Sim, o governo teve também seus momentos de anão. E eu não vou falar deles aqui. Quem quiser que entre no site do PSDB. Não, eu não esqueci de linkar o site do PSDB. Não linkei porque não quis. Se vira.
Dilma representa, então, não só a manutenção do que se conseguiu, mas a possibilidade de se ir adiante. Se eu pudesse escolher esse "adiante", pensaria, principalmente, em educação: avançar no sentido de um ensino fundamental integral (e bom) para todo mundo, de um ensino médio do século XX (do XXI já é querer demais), de um superior menos excludente. Não existe país rico e sem educação. Você pode ser uma coisa ou outra.
Não é obra para oito anos (nem para dezesseis). Não posso garantir que Dilma caminhará neste rumo. Mas posso ter (e tenho) certeza de que Serra não o fará. Como sei que ele retornaria ao alinhamento automático com os EUA. Que engessaria a política de valorização do salário mínimo. E que meteria a faca nos investimentos sociais. Essa gente já esteve lá oito anos, e não há nenhuma razão para crer que fará diferente se voltar.
Não, eu não sou tão ingênuo assim. Sei que, na aliança que apoia Dilma, também há interesses de banqueiros, latifundiários e pastores demagogos. A diferença é que, com Serra, há apenas eles. Com Dilma, será tarefa do movimento social fortalecer o lado esquerdo do governo. Votar é muito fácil. O difícil vem depois do voto.
E, para terminar, eu sei que muita gente anda a fim de não votar em candidato nenhum. Eu entendo. Tem até gente que vai viajar para o exterior para não ter que participar disso. Eu entendo, repito. E podia vir aqui com a citação do Brecht sobre o analfabeto político, ou do Gramsci sobre os indiferentes.
Mas eu acho que xingar os indiferentes só os torna mais indiferentes ainda.
Então, vou terminar com uma citação de Marguerite Duras, gentilmente enviada por minha amiga Wandinha. Ela fala sobre essa "perda política", essa vontade de ficar fora do processo:
Para mim a perda política é antes de tudo a perda de si, a perda de sua cólera assim como a de sua doçura, a perda de seu ódio, de sua faculdade de odiar assim como a de sua faculdade de amar, a perda de sua imprudência assim como a de sua moderação, a perda de um excesso assim como a perda de uma medida, a perda da loucura, de sua ingenuidade, a perda de sua coragem como a de sua covardia, a de seu terror diante de tudo assim como a de sua confiança, a perda de suas lágrimas assim como a de seu prazer. É isso o que eu penso.
(Marguerite Duras, "La perte politique", Cahiers du Cinéma nº 312-313, junho de 1980).
Eu apoio Dilma porque não quero sofrer esta perda.
P. S.: acabo de perceber que declarei o voto e não falei nada sobre a candidata em si. Em breve corrigimos esta falha.
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2 comentários:
Eustáquio,
Infelizmente, diante de um cenário árido politicamente, teremos que escolher entre o péssimo e o muito ruim. Em todos os níveis! Presidente, Senador, Governador e deputados. A que ponto chegamos... Os candidatos são, inapelavelmente, o retrato do país, da sua falta de estrutura política, de uma justiça que não julga; quando julga não condena; e quando condena não mantém preso. E da indiferença do cidadão comum, na base do "votar pra que? Não vai mudar nada..." O pior é que não podemos culpar os que pensam assim. Eles só demonstram o que vêem todos os dias. Portanto, entre o péssimo e o muito muito ruim, teremos que votar na Dilma, que além de uma incógnita politicamente (para mim) tem uma cara assustadora, meio psicopata, meio nazista, meio TFP... Tomara que ela mantenha o rumo, no mínimo. Mas aqui em MG... Dá vontade de ir pro Piauí... Votar no Mão Santa... Pelo menos ele não tem medo da mídia, da oposição e da justiça de lá... É triste, mas é a realidade.
Aqui em MG não está mole, Zebrão. Na Dilma eu voto porque vejo claras diferenças entre ela e o "outro".
Mas, para governador de MG, eu acho que os dois "principais" só se diferenciam (será?) naquelas coisas que não são da nossa conta.
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