sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apelo emocionado à razão

Para não perder este sorriso.

Volto a este modesto blog no dia dos professores, que volta a ser meu depois de mês e meio substituindo meu orientador no curso de História da UFOP. Então, eu hoje queria pedir um presente. Sim, todos nós professores queremos salários mais altos, melhores condições de trabalho e desconto no preço da cerveja, mas eu vou pedir algo que mesmo o leitor mais humilde pode me dar.

O voto para a Dilma eu já pedi na postagem abaixo. Agora, queria pedir mesmo é que tomassem um certo caminho para decidir o voto.

Eu queria, de presente, uma atitude. Uma postura. Um posicionamento.

Uma decisão de não mais tratar o destino deste país como uma questão de simpatias pessoais, como se fosse um jogo de futebol. Ou como uma disputa entre quem fala mais bonito ou em mais idiomas. O último intelectual televisivo na presidência deu no que deu.

Uma postura de levar em conta não o gênero ou a religião de quem te pede o voto, mas suas trabalho, suas propostas, seus apoios. De perceber que uma das maiores forças deste país está em suas diversidades (religiosa, étnica, sexual e vai por aí afora), e de que ser religioso é viver a sua fé, e não impô-la àqueles que não a partilham com você.

Eu queria que refletissem sobre que país é mais adequado para vocês e para seus filhos (ou sobrinhos, ou afilhados, ou alunos): este, com trabalho, crescimento, distribuição de renda, ou aquele, com desemprego, recessão, aumento da miséria e da violência. Dos projetos que agora disputam o poder, qual fez mais pelo país?

Por mais que escreva emocionado, com vontade de chorar, já não sei se de raiva ou de perplexidade, peço de presente uma atitude racional e, por que não dizer, filosófica, no sentido de olhar além das aparências, de comparar o que você vê na televisão com sua realidade cotidiana.

Por mais que eu soe velho e um tanto óbvio, preciso que desconfiem das coisas que andam entrando em sua caixa de e-mail, em sua caixa de correio, em sua caixa postal. As mentiras só existem a partir do momento em que alguém se dispõe a acreditar nelas.

Pense comigo: se um estranho lhe parasse na rua e lhe dissesse que sua vizinha, candidata a síndica do seu prédio, mantém em seu apartamento o cadáver embalsamado do Nelson Ned e lhe sacrifica filhotinhos de bode, você acreditaria? Então, por que acreditar quando a informação é dada por e-mail?

(Hein?! O Nelson Ned não morreu? É sério? Ops... Foi mal aí, Ned.)

Acima de tudo, conclamo à recusa da velha máxima de que "todos são iguais". Esta é uma visão que sempre favorece os piores. Pode-se preferir um ou outro. Nenhum é celestial, nenhum é demoníaco, mas não são iguais. Se fossem, não seriam dois.

Perdão pelo texto espasmódico, de má qualidade, talvez até sem muito sentido, em pleno dia dos professores. É um desabafo, claro, é um pedido de socorro, sim, mas é também uma declaração de esperança. Recuso-me a acreditar que o meu povo irá decidir o seu futuro com base em fantasmas e em preconceitos. Prefiro crer que, em 2002 e 2006, superamos a adolescência histórica. Para sempre.

Professores somos todos nós, vocês sabem. Depende de nós a possibilidade de continuar ensinando e, sobretudo, aprendendo livremente em nosso país.

Um abraço,

Professor Fofão.

Um comentário:

patto disse...

Aê, professor! Ficou um tempão sem escrever, mas não perdeu o jeito pro negócio não...