terça-feira, 23 de junho de 2009

De volta, para rir dos hipócritas




Os analistas de política internacional que se escandalizam com a vitória do truculento e bravateiro Ahmadinejad no Irã não pareceram surpresos ou desgostosos com o triunfo,
há poucos meses, em Israel, de Netanyahu, que recusa o direito palestino a um Estado próprio e chamou um facínora reconhecidamente racista (Avigdor Lieberman) para a chancelaria.

A simpatia recebida pela oposição iraniana não se estendeu, em janeiro, aos civis palestinos trucidados em Gaza.

Mais perto daqui, José Sarney aparece na mídia de chifre, rabo e, bem, bigode, como se esses apetrechos tivessem sido recebidos por ele agora, via Sedex. Não me lembro da mesma indignação quando o dono do Maranhão esteve na presidência do Senado por outras duas vezes. Nem quando os desmandos eram assinados por Antônio Carlos Magalhães e gente desse nível.

Aliás, todos os comentaristas políticos apontam, como solução para esses males, uma tal de reforma política. No Congresso, proliferam propostas disto, das mais tacanhas às mais mirabolantes. Até onde sei, porém, nenhum deputado ou senador propõe o voto facultativo, necessário a qualquer sistema que se queira, de fato, democrático.

E nenhum comentarista político ousa lhes cobrar isto.

Barack Obama investe pesado contra os fabricantes de cigarro, principalmente para "proteger" os adolescentes. Palmas para ele.

Fica faltando, porém, a mesma iniciativa contra os fabricantes de batatinhas, refrigerantes, nuggets, guloseimas açucaradas, sorvete, pizza congelada etc., e isto no país mais atormentado mundialmente pela obesidade infantil.

Por falar em batatinha, no Reino Unido esses produtos são sobretaxados em um imposto semelhante ao nosso IPI. Por isso, a Pringles (aquela da caixa cilíndrica) alegou, perante a justiça britânica, que seu produto não é exatamente batata. Só faltou ganhar a ação.

No feriado de Corpus Christi, enquanto a mídia deslumbrada e o público mentalmente impúbere ainda se bestificavam com o acidente da Air France (notícia de duas semanas antes, e típica fatalidade), 86 pessoas perdiam a vida em acidentes só nas estradas federais, só nesse feriado.

Ninguém parece escandalizado. Ninguém comentou isso no boteco. Talvez porque se repita todos os anos.

Por tudo isso e mais alguma coisa, esse blog está de volta. Talvez mais puto da vida, com menos tempo de ver televisão (filme, então, nem pensar), sem um foco muito preciso. Se não der mesmo pra atualizar todo dia, a gente faz umas três vezes por semana.

Mesmo só tendo uns seis leitores, eles são fiéis e, creio, também não engolem a hipocrisia generalizada que tomou conta da mídia. De todas as mídias. O blog não vai mudar nada disso. Mas, com a ajuda de vocês, dá pelo menos para desopilar o fígado.

5 comentários:

PDX Ivan Diniz Macedo disse...

É cara, essa situação está muito esquisita. Saudades, em alguns aspectos, dos anos 80: mocinho era mocinho, bandido era bandito! Mas, falando sério: porque você não coloca este texto (adaptado) nos comentários lá do Nassif.
Outra coisa, sobre as materias do Araguaia: que escândalo os comentários nazistas (ou coisa próxima) que colocaram lá. Parece um show da TFP, CCC junto com a Klan e cia...

Fofão disse...

Valeu por esta dos nazistas do Araguaia. Estava mesmo precisando de um assunto para hoje.

patto disse...

Adorei a palavra "desopilar"...tinha séculos que eu não via ninguem usar.
Aliás, só vi usarem na FALE...E DESCONFIO QUE A PESSOA NÃO SABIA O QUE ERA...rs....

Glória Paiva disse...

O que é "desopilar"? Sou jornalista, mas meu diploma não vale nada mesmo, então não sei... rss
PS: Gostei do mix "pringles-sarney-ahmadinejad".

patto disse...

kkk! Desopilar é desobstruir!!
(é assim mesmo que escreve desobstruir??)
Tá vendo que praga! A gente não usa as palavras e depois não sabe como que escreve...aliás, a gente usa...a gente fala, mas não escreve.